Política

Coordenador da Defesa Civil é demitido

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

As críticas sobre a situação precária da Defesa Civil em Bauru, feitam ontem no JC, custaram caro para o coordenador do órgão, Álvaro de Brito. A Prefeitura comunicou ontem, às 21h15, a substituição de Brito pelo 1o tenente do Corpo de Bombeiros Eros Antônio Pereira, na reserva desde 2004. Pereira se reúne hoje, às 9h, no Palácio das Cerejeiras, com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) e com o comando do Corpo de Bombeiros

Apesar da demissão ter ocorrido um dia depois de Brito expor a situação em que se encontra a Defesa Civil, a Prefeitura negou que houve retaliação. Segundo o chefe de Gabinete, Paulo Canalli, a demissão do coordenador foi por “questão de perfil”. “A substituição se deu para adequar a pessoa que entra à filosofia da administração”, disse.

Canalli afirmou ainda que a Prefeitura não pauta suas ações pelas críticas que recebe, mas pela necessidade do Município. “Essa administração nunca teve problemas com críticas, pelo contrário, aceitamos aquelas que são construtivas e contribuem para o desenvolvimento da cidade”, frisou.

A precariedade da Defesa Civil não é novidade, mas o assunto veio novamente à tona no domingo, após a forte chuva que caiu sobre Bauru. O agora ex-coordenador da Defesa Civil afirmou que o órgão vai entrar em colapso, porque não tem comunicação, nem transporte necessário para atender a população. Brito também afirmou ao JC que está trabalhando apenas com 25% do material necessário para atender as demandas causadas por temporais. Brito teve que percorrer as ruas da cidade com seu próprio carro e sem telefone celular, tentando chegar aos pontos críticos por intuição. Segundo ele, a Defesa Civil já passou por necessidades, mas nunca a situação esteve tão crítica.

Motivação política

Depois de quase 14 anos de serviços prestados ao Município, Álvaro de Brito deixa a coordenação da Defesa Civil e afirma que sua saída foi por questões políticas. “Eles têm o hábito de usar as pessoas e depois descartar. Me usaram no final de semana, numa situação difícil e me exoneraram depois”, disse.

Para Brito, o que determinou sua saída foi o fato de incomodar a administração. Segundo ele, há um grupo político na Prefeitura que se a pessoa não rezar pela cartilha, é imediatamente descartado. O ex-coordenador da Defesa Civil não tem dúvidas que as críticas à precariedade do órgão foram determinantes para sua saída. “Estou sendo exonerado mais por incomodar a administração, do que por qualquer outro motivo”, afirmou.

Resposta

Antes de anunciar a substituição do coordenador da Defesa Civil, a Prefeitura enviou, por meio da assessoria de imprensa, nota de esclarecimento respondendo às críticas de Álvaro de Brito. Na nota a administração negou que não tenha pago as contas mensais do telefone celular utilizado pela Defesa Civil.

“No caso específico da conta de fevereiro de 2006, a Secretaria Municipal de Finanças entrou em contato com a operadora Vivo, na época, informando que não recebeu a fatura. A empresa informou que não haveria cobrança naquele mês porque a Prefeitura teria créditos extras para aquele aparelho telefônico”, informou a assessoria de imprensa.

No mês seguinte (março) houve erro da operadora, que cortou indevidamente o aparelho. O problema se repetiu e, segundo a assessoria de imprensa, “a Vivo informou que havia se equivocado e que a Prefeitura teria que pagar a fatura de fevereiro. O pagamento foi feito nesta segunda-feira, data em que a fatura foi recebida”, diz o texto.

Sobre a falta de veículo e motorista, a Prefeitura alega que criou uma central de motoristas que presta serviços a todos os setores do Palácio das Cerejeiras. Segundo a assessoria, a medida teve como objetivo reduzir custos e otimizar os trabalhos, evitando que dois motoristas de secretarias municipais diferentes fossem para o mesmo destino ao mesmo tempo.

“A Defesa Civil pode requisitar os serviços de motorista a qualquer momento, inclusive à noite e aos finais de semana, quando uma central geral para todos os órgãos da Prefeitura atende às solicitações. Além disso, a Defesa Civil também conta com veículo exclusivo e tem uma sala à sua disposição no 3º andar do Palácio das Cerejeiras”, explicou a assessoria.

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Desafio

Eros Antônio Pereira não quis se manifestar sobre sua nomeação para o cargo de coordenador da Defesa Civil de Bauru. Segundo ele, não foi nada oficializado, houve apenas um convite, mas não foi formalizado. “Prefiro esperar até amanhã (hoje), quando vou conversar com o prefeito e saber qual a situação”, disse.

Apesar da declaração, Pereira comentou que assumir o cargo é um desafio, já que após 35 anos de serviços prestados ao Corpo de Bombeiros, pode retornar aos princípios básicos da administração pública, trabalhando com a Defesa Civil.

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