Entrou em vigor ontem o aumento de 20% para 23% na adição do álcool anidro à gasolina, medida que poderia reduzir em R$ 0,02 por litro o preço da gasolina. Entretanto, a avaliação da diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru é de que os preços continuarão estáveis em função do aumento de preços do álcool anidro previsto para o dia 30 deste mês.
De acordo com o presidente do Sincopetro, Wagner Siqueira, existe inclusive a possibilidade de alta da gasolina se o valor do álcool subir demais. Mas a hipótese mais provável é de que ocorra um equilíbrio entre os aumentos da porcentagem do álcool anidro e do valor do produto, mantendo inalterados os preços ao consumidor.
“O aumento do preço do álcool anidro ocorrerá em função do período de entressafra (da cana-de-açúcar). Em dezembro as usinas param de moer cana e a entressafra segue até março do ano que vem. Então, nesse período o álcool anidro sempre aumenta de preço (para suprir o período em que não há colheita de cana). Só não dá para saber, anda, de quanto será esse aumento”, diz Edivaldo Tuschi, diretor do Sincopetro e dono de postos em Bauru.
Mudança
O novo percentual que define a presença de álcool anidro na composição da gasolina foi definido no final de outubro pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima). Na ocasião, o governo calculou que a mudança poderia gerar redução de até 1,5% no preço da gasolina, equivalente a cerca de R$ 0,02 por litro.
A estimativa de queda nos preços da gasolina é justificada por dois motivos: além do álcool anidro ser mais barato, não há incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e nem da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide).
Entretanto, além do aumento do preço do produto previsto pelo Sincopetro, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, já admite que em janeiro de 2007 o percentual de adição do álcool anidro volte para 25% - percentual vigente até o início deste ano - se os estoques de álcool estiverem “em níveis confortáveis”.
“Por causa da alta do álcool anidro a partir do dia 30, não deve haver queda no preço da gasolina. É um período de tempo muito curto de agora até o fim do mês, não dá tempo nem do mercado se estruturar para reduzir o preço agora e aumentar de novo depois que o álcool subir. Além disso, os postos ainda estão trabalhando com estoque antigo. Hoje (ontem), ninguém comprou gasolina com o novo percentual”, aponta Siqueira.
Aumento
Na avaliação dele e de Tuschi, o cenário deve permanecer igual se o preço do álcool não disparar, como ocorreu no início deste ano, quando houve forte alta dos preços nas usinas em função da entressafra da cana-de-açúcar. Na ocasião, o aumento e o risco de faltar o combustível no mercado levaram o Cima a reduzir o percentual de 25% para 20%.
Em Bauru, em março deste ano o litro da gasolina chegou a R$ 2,65, e o de álcool hidratado (vendido diretamente nas bombas), a R$ 2,00. “Por enquanto, se não houver guerra de preços motivada pela concorrência, não deve haver nenhuma mudança para o consumidor”, avalia Tuschi. Segundo o Sincopetro, no momento o litro da gasolina gira em torno de R$ 2,52 a R$ 2,59 na cidade. O álcool varia de R$ 1,37 a R$ 1,40.
De acordo com o indicador de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea), nas usinas paulistas - maior centro produtor do País - o preço médio do litro do álcool anidro recuou 1,31% na semana passada, de R$ 0,86342 para R$ 0,85209.