São Paulo - O ministro Luís Carlos Guedes Pinto (Agricultura) afirmou que o governo pode elevar de novo o percentual de álcool anidro misturado na gasolina a partir de janeiro. Ontem entrou em vigor a resolução do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), que aumentou de 20% para 23% o percentual de álcool na gasolina.
A medida, anunciada no mês passado, atendeu apenas em parte o pleito dos usineiros junto ao governo, que era o aumento para 25%. Segundo o ministro, a nova alta para esse percentual pode acontecer em janeiro “se os estoques estiverem nessa época em níveis confortáveis”.
O governo aumentou a mistura de álcool porque os estoque atuais do combustível, que superam 5 bilhões de litros, seriam suficientes para suportar o aumento da demanda sem haver pressão sobre os preços mesmo na entressafra. “No atual quadro de abastecimento é importante buscar a manutenção da regularidade da oferta, evitar oscilações bruscas de preços para cima ou para baixo e chegar no fim do período de entressafra com um nível de estoques adequados à transição da safra 2007/2008”, afirmou Guedes.
O aumento de 20% para 23% vai representar um consumo adicional de cerca de 300 milhões de litros de álcool até o dia 30 de abril de 2007, quando termina a safra 2006/07. O ministro considerou “razoáveis” os atuais níveis de preço de álcool na usina. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o álcool anidro (adicionado à gasolina) tem oscilado entre R$ 0,85 e R$ 0,89 há mais de dois meses. O mesmo aconteceu com o hidratado (usado diretamente para abastecer os veículos), que permaneceu entre R$ 0,74 e R$ 0,77 no período. Esse nível de preços garante, segundo o ministro, “remuneração para os produtores sem onerar demais os consumidores”. Os preços também permaneceram praticamente estáveis na bomba.
O valor preço médio do álcool no Brasil oscilou de R$ 1,506 para R$ 1,494 por litro entre a semana anterior ao anúncio da medida e a semana retrasada -último dado disponível no site da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Mas o preço parou de cair, já que apresentava tendência de baixa desde que atingiu R$ 1,619 em agosto. No mês passado, o Ministério da Agricultura informou que a mudança na fórmula poderia levar a uma pequena redução no preço da gasolina, já que o álcool é mais barato e teria mais participação na fórmula. No entanto, também não houve impacto significativo nos preços da gasolina.
Segundo a ANP, em média o litro da gasolina caiu de R$ 2,536 para R$ 2,528 no período. Sindicatos de distribuidoras e postos afirmaram que a diferença era muito pequena para provocar impacto nos preços e também levantaram a possibilidade de que houvesse alta no litro do álcool. Alterações mais significativas de preços do álcool poderão ser verificadas a partir de dezembro, quando começa a entressafra da cana-de-açúcar. Segundo o Ministério da Agricultura, ao final de abril, com o término da safra 2006/07, o país deverá ter estocado entre 500 milhões e 600 milhões de litros, volumes considerados “confortáveis” para o final da entressafra.