O trem, trem de ferro, pesado,
Mas sempre leve, pelo que levava dentro,
É que para mim, ele sempre levou sonhos,
Transportou muita saudade.
Saudade que nasce no último adeus,
Quando a mão desaparece na primeira curva;
Saudade que morre no primeiro abraço,
Quando o trem para, na chegada,
Com aquele suspiro do freio que descansa,
Feliz por terminar a viagem de volta.
Assim foi o trem de sua vida,
Cheio de gente, cheio de sonhos e repleto de saudade.
Hoje, o povo já não povoa mais o trem
E isso me entristece, tornando mais triste a despedida.
É que seu trem do tempo chegou ao fim e era hora de
Descer, rumo ao que seria seu descanso.
No trem da vida, desembarcou na estação do sonho.
E na hora do freio se ouviu um grande suspirar,
Era minha saudade, pai.
Uma saudade funda dos trens de antigamente,
Cheios de gente, com anseio da chegada
Ou com a alma doída pela dor da despedida.
E, daqui para frente, embarcarei sempre o leve fardo das
Lembranças, que não ficarão comigo,
Pois haverão de viajar contigo, eternamente.
“Que saudade, meu pai!”
Carlos José Galvão de Moura