Tribuna do Leitor

O que podemos fazer para ajudar o esporte bauruense?


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Durante este o ano, a cidade de Bauru vem experimentando situações antagônicas em relação ao esporte de rendimento. Por um lado tivemos o retorno da equipe do Esporte Clube Noroeste à divisão de elite do futebol paulista, por outro, observamos as dificuldades encontradas pelas demais modalidades para manter-se em funcionamento, em decorrência dos problemas encontrados no repasse das verbas pela Prefeitura municipal.

Sabemos das dificuldades que a Prefeitura está encontrando para adequar a situação econômica do município à lei de responsabilidade fiscal, e que os problemas financeiros municipais vieram se constituindo ao longo de muitos anos, fazendo-se necessário à priorização dos investimentos em alguns setores.

Desta forma, compreendo os motivos que levaram a administração pública a priorizar o esporte educação como o alvo de seus recursos, deixando o esporte de rendimento sob os cuidados da iniciativa privada.

No entanto, assim como o Prefeitura, a iniciativa privada também está encontrando problemas para apoiar o esporte na cidade, tal fato pode ser observado pela extinção da equipe adulta de basquete do município e o recente anúncio de afastamento do atual presidente do Noroeste. Este último alegou na ocasião, falta de apoio da Prefeitura e empresariado do município, o que estava dificultando a manutenção da equipe.

Diante deste quadro surgem algumas questões que parecem estar sem repostas.

De quem é a responsabilidade pelo fomento do esporte na cidade? Qual o futuro do esporte na cidade?

Antes de tentar responder tais questões, vale dizer, que pela maneira como as notícias estão sendo veiculadas nos meios de comunição, fica a impressão de que, o esporte de rendimento municipal é responsável pelos problemas e que este deve ser exterminado.

Vale ressaltar, que todos os setores da atividade humana apresentam vantagens e desvantagens quando se trata de destinar investimentos, sejam estes públicos ou privados. Isso não é diferente com o esporte de rendimento. É sabido que a manutenção de equipes acarreta investimentos elevados e que tais recursos acabam sendo destinados apenas a um número reduzido de atletas. Apesar disto, deve-se esclarecer que também existem benefícios no esporte de rendimento, desde que este seja bem organizado e administrado. Para termos uma idéia disto, cabe destacar a importância do futebol para a economia do país. Segundo o Atlas do Esporte no Brasil, publicado pela editora Shape em 2005, estima-se que o futebol no Brasil movimente aproximadamente 3,2 bilhões de dólares anualmente, isso sem contar as transações de jogadores. Segundo a referida publicação, são fabricados, por ano, no país cerca de 3,3 milhões de pares de chuteiras para futebol de campo, 5,6 milhões de bolas de couro e 32 milhões de camisetas. A partir destes números dá para se imaginar a quantidade de empregos diretos e indiretos que o esporte gera. Além da questão econômica, um dos segmentos mais beneficiados pelo esporte de rendimento é a iniciação esportiva, onde inúmeras crianças procuram escolas de esportes particulares ou públicas após terem o contato com o esporte de rendimento, seja assistindo um jogo no estádio ou vendo um evento esportivo na televisão.

Retornando à situação do esporte no município, na minha concepção uma política pública esportiva deve contemplar o esporte educação, o esporte rendimento, o esporte participação e o esporte inclusão (este voltado aos portadores de necessidades especiais). Pois acredito que estes se complementam em um modelo de sub-sistemas sendo interligados e dependentes.

Mas sei que estamos longe de contemplar um modelo deste subsidiado pelos órgãos públicos seja na esfera municipal, estadual ou nacional. Até mesmo por que além da das dificuldades econômicas que grande parte dos municípios encontram, existe uma tendência mundial para o afastamento do Estado de alguns setores, que em décadas passadas estavam estritamente sob sua responsabilidade, ou seja, a política neoliberal.

A Prefeitura deixou claro que não tem condições de financiar as modalidades esportivas da cidade e não podemos atribuir aos empresários unicamente a responsabilidade por fomentar o esporte. Mas, também não podemos deixar o esporte amargar uma situação de completo abandono.

Tal configuração, principalmente em um momento de transição, como vivemos atualmente no esporte, faz com que procuremos soluções para tentar ao menos amenizar o problema. Aí que acredito que a sociedade deve se mobilizar a fim de procurar alternativas para o impasse constituído.

Neste sentido, penso que as lideranças esportivas da cidade; compostas pelos técnicos das modalidades, imprensa, empresários que investem no setor e aqueles pretendem investir, instituições como Sesi, Sesc, ALBB, BTC, universidades públicas e privadas, enfim, todos os interessados; deveriam reunir-se e compor um conselho esportivo, que poderíamos denominar de Conesp-Bauru.

O Conesp teria a função de criar um plano decenal com diretrizes para as atividades esportivas na cidade envolvendo as quatro esferas do setor citadas acima e a fiscalização do cumprimento do plano.

O primeiro passo seria o envio de um projeto para câmara municipal que teria como objetivo principal diminuir a tributação para os empresários que investirem no esporte seja por intermédio de patrocínios a equipes, reforma e manutenção dos locais públicos destinados a prática esportiva ou manutenção de projetos sociais que tenham atividades esportivas em seu programa. Para as empresas de médias e pequenas poderia ser incentivado o programa de adoção de um atleta de modalidade individual. Para as empresas de transporte coletivo poderia ser sugerida a criação do passe-atleta e do passe-futuro desportista onde os jovens que vinculados a escolas esportivas poderiam ter a passagem reduzida. Na seqüência poderia ser firmado de convênios entre as universidades e as equipes para a oferta de serviços especializados aos atletas, como tratamento odontológico, instrução nutricional, serviço de assistência social entre outros. Enfim, existe uma infinidade de ações que podem ser realizadas com a finalidade de estruturar o esporte municipal, que tragam benéficos para diferentes segmentos da sociedade e com certeza todos sairiam ganhando.

No entanto, para que um projeto desta magnitude apresente os resultados esperados, seus objetivos devem estar fora dos anseios eleitorais, devendo as ações continuar independente do representante político presente no poder legislativo ou no executivo.

Certamente a concretização de ações desta natureza contribuirá para que num futuro próximo possamos reduzir o número de pessoas sedentárias e conseqüentemente o número de pessoas que apresentam patologias causadas pela inatividade física. Além disto podemos contribuir para a formação de cidadãos que consumirão de forma crítica o esporte de alto rendimento.

Por fim, me coloco à disposição aos interessados para que possamos discutir idéias para melhoria da questão esportiva municipal.

Carlos Rogério Thiengo - RG 29.416.749-3

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