Londres - A brigada antiterrorismo da Polícia Metropolitana de Londres foi encarregada da investigação sobre o envenenamento do ex-espião russo Alexander Litvinenko, refugiado há seis anos no Ocidente e hoje cidadão britânico.
Pessoa próxima dele ontem acusou o Kremlin de estar por detrás da tentativa de assassinato. Litvinenko continua em estado grave e foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital londrino.
No Kremlin, o vice-porta-voz Dmitri Peskov, qualificou a acusação de “puramente fantasiosa”. A FSB, da qual a vítima foi coronel antes de cair em desgraça, negou-se a fazer comentários. A embaixada russa em Londres descreveu o caso como “um possível acidente”.
Exames toxicológicos indicam que a vítima foi envenenada com tálio, uma substância incolor e inodora, usada em raticidas na Europa do Leste e que ataca os rins e o sistema nervoso central. O envenenamento pode ter ocorrido antes, durante ou logo depois de um almoço do ex-espião, no último dia 1, num restaurante japonês.
Seu único companheiro de mesa foi o professor italiano Mario Scaramella, da Universidade de Nápoles. Ele lhe teria entregue documentos que comprovariam a participação da FSB, na morte a tiros, em Moscou, da jornalista russa Anna Politkovskaya, conhecida pelas denúncias de abusos cometidos por Putin e por seus serviços militares e de inteligência na Chechênia.
O jornal “The Evening Standard” revelou que o ex-espião gravou uma fita em que relatou a existência de assassinatos extrajudiciais encomendados pelo governo russo. Uma cópia da fita foi entregue à polícia e ao M15, um dos serviços de inteligência britânicos.
O estado de saúde de Litvinenko permanece grave. Os médicos dizem ser de 50% as chances de poderem salvá-lo. A UTI que ele ocupa está protegida por policiais. Caso comprove que o envenenamento partiu da inteligência russa, Londres azedará suas já difíceis relações com Moscou no capítulo dos direitos humanos.