Brasília - O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) prometeu fazer hoje sua segunda tentativa de apresentar um requerimento de criação da CPI das ONGs, para investigar suposto desvio de recursos públicos repassados a organizações não-governamentais. Ontem, Heráclito disse que recolhera 32 assinaturas para protocolar o pedido (é necessário o apoio mínimo de 27 senadores).
Apesar de ter mais nomes que o necessário, ele checava nome a nome, receoso de que governistas recuem na última hora. Heráclito tem insistido na criação da CPI desde o período eleitoral.
A proposta surgiu quando integrantes do PT foram presos com R$ 1,75 milhão que seria utilizado para comprar um suposto dossiê. Um dos envolvidos, Jorge Lorenzetti, era colaborador da rede Unitrabalho, que recebeu por meio de convênios R$ 18,5 milhões dos cofres públicos.
Segundo Heráclito, o novo requerimento contém poucas alterações em relação ao anterior, mas trará cópias de reportagens sobre indícios de irregularidades nos repasses a essas entidades. Heráclito também pretende incluir nas investigações a denúncia de que a Petrobras teria repassado pelo menos R$ 31 milhões para ONGs ligadas ao PT.
O senador não descarta reunir assinaturas também da Câmara dos Deputados para propor a abertura de CPI mista para investigar as ONGs. A expectativa no Senado, no entanto, é que a CPI das ONGs não saia do papel em conseqüência do pouco tempo para as investigações - uma vez que o recesso do Congresso Nacional terá início em 22 de dezembro.
Alguns parlamentares da oposição, como o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), reconhecem que seria mais prudente deixar para o ano que vem o pedido de abertura da CPI, com as investigações a cargo dos parlamentares que foram empossados em fevereiro.
Mesmo com o pessimismo da própria oposição, Heráclito acredita na instalação da CPI ainda neste ano. “Eu insisto que dá. Não podemos ser omissos nessa questão, certamente vamos ter convocação extraordinária do Congresso em janeiro. Eu não sou contra o funcionamento de ONGs, mas contra a clandestinidade dessas organizações”, afirmou.
Heráclito defendeu que a CPI seja instalada e, se não houver tempo para concluir as investigações, a comissão poderá ser reaberta na próxima legislatura. “Se o governo botar a cabeça para funcionar, investiga em 60 dias e começa o novo governo com tudo isso esclarecido”, defendeu Heráclito.
Apesar das assinaturas recolhidas pelo senador, a Mesa Diretora do Senado é quem decide sobre a instalação da CPI, com a palavra final do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).