Bairros

Após chuva, pedestre faz malabarismo

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Com lama, entulho e buracos ainda maiores nas ruas após a chuva de anteontem, moradores de vários bairros de Bauru precisaram de malabarismo para sair de casa ontem. Em ruas de terra do Parque Roosevelt, carros passaram a transitar nas calçadas para fugir das crateras e pedestres saltavam de um ponto a outro.

“Só consigo sair de carro passando pela calçada improvisada. Andar na rua não dá”, conta Olacir Aparecido Zanelli, morador da quadra 4 da rua Luiz de Souza. E muitas vezes ele apela para os vizinhos. “Deixo o carro na casa dos amigos”, diz.

No Jardim Olímpico, o dia foi de limpeza nas casas invadidas pela enxurrada. Lúcia Costa Bernardino conta que só não perdeu móveis porque chegou a tempo de retirá-los. “A água ficou no meu joelho”, conta ela, que mora na quadra 8 da rua Sérgio Malheiros.

Zanelli reclama das condições da rua do Roosevelt há 16 anos, desde que mudou-se para o bairro. “Já cansei de reclamar. Já vieram engenheiros no bairro, mas ninguém resolve o problema”, desabafa. Ele conta que neste ano, em contato com a prefeitura no início, foi informado de que as ruas seriam asfaltadas.

“Eles deram o prazo de 60 dias. Já passou há muito tempo”, argumenta, ressaltando que seu filho não pode brincar na rua por causa dos cacos de vidro espalhados entre o entulho. Ele não é o único a reclamar. Para os moradores, as mais críticas são as ruas Luiz de Souza e Benedito José Teixeira.

Enquanto aguarda solução, Peixoto Antônio Lisboa precisa se equilibrar ao andar nas ruas. Para passar por alguns buracos, precisa dar saltos. “A prefeitura manda jogar entulho para que a erosão não aumente, mas acaba piorando o problema”, reclama.

Segundo o morador, os entulhos na frente das casas saem na primeira chuva. Além disso, junto com o entulho, acumula-se o lixo. Em frente a sua casa, na rua Benedito José Teixeira, os buracos impedem, muitas vezes, a retirada do carro. “Quando consigo sair de carro, tenho que andar vários quarteirões até chegar a uma rua transitável. Para ir ao supermercado, por exemplo, tenho que dar voltas com o carro, coisa que não seria preciso se as ruas fossem asfaltadas”, reclama.

No Jardim Olímpico, Lúcia também vai improvisando para enfrentar o problema. Ela mesma fez um buraco na rua e colocou galhos de árvore dentro na tentativa de chamar a atenção dos motoristas. “Esta semana, até trator atolou aqui na lama. Tive que vender meu carro porque ele vivia mais no mecânico do que em casa. É muito difícil passar na rua sem atolar”, argumenta.

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