São Paulo - Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram ontem novas invasões e bloqueios de rodovias pelo País. Lavradores comandados pelo MST de Pernambuco invadiram três fazendas, bloquearam duas rodovias e promoveram um ato público urbano. Na Paraíba, os sem-terra bloquearam a BR-361 e invadiram um prédio. Desde a semana passada, integrantes de movimentos de luta pela terra intensificaram a realização de ações para pressionar o governo federal a cumprir antes do final do ano reivindicações consideradas prioritárias. Em Pernambuco, as manifestações reuniram cerca de 1.000 pessoas, segundo o MST.
As polícias Militar e Rodoviária acompanharam os protestos, mas não houve registro de confronto nem prisões. Os sem-terra agiram de forma simultânea no Estado. Às 8h, grupos protestaram no centro de Condado (106 quilômetros de Recife), bloquearam rodovias e invadiram as fazendas Uberaba, em Bonito (120 quilômetros de Recife), Cavaco, em Xexéu (162 quilômetros de Recife), e Papagaio, em São Caetano (146 quilômetros de Recife). A BR-232 foi interditada em Moreno (35 quilômetros de Recife). Na BR-101, os trabalhadores rurais ergueram três barricadas: em Escada (80 quilômetros de Recife), Igarassu (26 quilômetros de Recife) e Goiana (80 quilômetros de Recife). Galhos e pneus velhos foram jogados nas pistas.
Os agricultores atearam fogo e congestionamentos de até cinco quilômetros. Os manifestantes só encerraram os protestos duas horas depois, após a confirmação de uma reunião entre representantes do MST e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Segundo o coordenador nacional do MST e líder estadual Jaime Amorim, o movimento já não acredita no cumprimento das metas oficiais de assentamento para este ano.
Em Pernambuco, o objetivo era assentar 5.260 famílias. Até agora, foram beneficiadas apenas 1.099, de acordo com o Incra. Na Paraíba, cerca de 60 integrantes do MST interditaram as duas vias da BR-361, próximo ao município de Catingueira (a 358 quilômetros de João Pessoa). Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a interdição, que começou às 6h, foi feita com um carro velho, pneus e madeira. Os manifestantes liberavam a rodovia aos motoristas uma vez a cada hora.
A pista só foi liberada totalmente no final da tarde de ontem. O movimento quer que o Incra faça vistoria na fazenda Boa Vista, reivindicada pelo movimento. Cerca de 180 famílias ligadas ao MST montaram acampamento há oito meses próximo à propriedade. No município de Patos (a 318 quilômetros de João Pessoa), cerca de 70 integrantes do MST invadiram anteontem a sede da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa). Eles reivindicam a instalação de energia elétrica no assentamento Patativa do Assaré. Eles ficaram no saguão do prédio das 9h às 12h. Segundo a Saelpa, a instalação elétrica para as 60 casas do assentamento já está programada para dezembro.
No Pará, o gerente da fazenda Peruano, em Eldorado de Carajás, fez ontem um boletim de ocorrência relatando que um grupo de sem-terra ligado ao MST matou pelo menos 19 cabeças de gado da raça nelore. O coordenador estadual do MST Alberto da Silva Lima negou a ação e disse que os proprietários acusam os sem-terra como forma de pressionar as famílias a saírem da região.
Desde abril de 2004, cerca de 700 famílias do MST estão acampadas em uma área da fazenda Peruano. Segundo a superintendência do Incra em Marabá, a área foi vistoriada há duas semanas a pedido da Justiça, mas o relatório sobre a produtividade da área não foi concluído.