Brasília - O comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, disse ontem que foi cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a falta de planejamento de pessoal no controle aéreo e assumiu pessoalmente a falha pela inexistência de uma “reserva técnica” de controladores para Brasília, depois do que classificou de “descontrole emocional” da categoria.
O próprio Bueno disse que 22 controladores chegaram a tirar licença médica simultaneamente, além dos nove afastados por ligação com o acidente do vôo 1907. “Temos que ter reserva técnica. Foi falha minha”, disse. Porém, ele negou que as reclamações feitas pela categoria se justificassem, e disse que o controle aéreo de Brasília funcionava perfeitamente antes do acidente.
Na mesma mesa da audiência no Senado, o ministro da Defesa, Waldir Pires, negou que tenha ocorrido qualquer atrito de sua pasta com a Aeronáutica. Afirmou que não atiçou os controladores a um confronto com militares e disse, emocionado, que sua vida e trajetória são pautados por princípios da cidadania e democracia.
Em entrevista anteontem, Pires foi questionado sobre os riscos envolvidos no trabalho dos controladores, que relatam sofrimento e dificuldades com o endurecimento militar imposto recentemente. Na ocasião, ele recomendou “força” e “resistência” aos controladores. “Não falei (aos controladores) para resistir contra a Aeronáutica, mas para resistir no trabalho, dar o máximo de si.” Pires disse ser cuidadoso sobre o termo “desmilitarização”, mas afirmou que a reflexão precisa ser feita.