Cultura

Lei Rouanet pode salvar desfiles de rua

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo sem recursos financeiros da Prefeitura, o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, pretende cumprir a promessa feita no ano passado de promover o tradicional desfile das escolas de samba. Para isso, contatou a empresa paulistana Pró Cultura Marketing e Evento, responsável pelo envio do projeto do Carnaval para aprovação pela Lei Federal de Incentivo Cultural, a Lei Rouanet.

A proposta foi aprovada há cerca de um mês. Com a conquista, pessoas físicas e jurídicas que declaram o Imposto de Renda em formulário completo podem destinar parte do valor devido para a execução de projetos culturais. Dessa forma, o valor pago retorna em benefício à comunidade. “Os empresários não têm que desembolsar nada, pois o dinheiro já seria gasto com o pagamento do Imposto de Renda”, salienta a presidente da empresa, Jussara Gontow.

A fim de sensibilizar os empresários da cidade e da região, representantes da empresa e secretário de Cultura promoverão um café da manhã em Bauru no início de dezembro. “Vamos convidar empresários de toda a região para apresentar o projeto e esclarecer quaisquer dúvidas. Nossa idéia é promover um Carnaval regional”, aponta Gontow.

Orçado em mais de R$ 2 milhões, a empresa pretende captar no mínimo metade desse montante para a realização da festa, que pode ou não ser realizada no Sambódromo. “Já conhecemos a estrutura do Sambódromo, mas nada impede que façamos em outro lugar. O melhor local quem vai decidir será a população”, diz Gontow.

Do ponto de vista financeiro, Vinagre acredita que a melhor opção seja o Sambódromo. “Fizemos uma pesquisa e constamos que, se fosse feito na Nações Unidas, o custo seria muito maior”, diz o secretário. Segundo ele, com R$ 600 mil seria possível realizar um Carnaval semelhante ao de 2001. A captação começa oficialmente hoje e vai até 31 de dezembro, de acordo com o Ministério da Cultura.

Escolas

Caso consigam captar recurso para a promoção da festa, as escolas de samba de Bauru Mocidade Independente da Vila Falcão, Coroa Imperial, Azulão do Morro, Águia de Ouro, Tradição da Zona Leste e Cartola têm que acelerar o ritmo para não fazer feio na avenida.

Mas isso não é problema para o presidente da Coroa Imperial, Avelino de Souza. “Nosso samba-enredo está pronto desde 2002, quando não houve desfile. Se tivermos uma resposta até o final do mês, damos conta de tudo. O problema é conseguir o dinheiro”, diz.

A presidente da Liga das Escolas de Samba e das Entidades Carnavalescas (Lesec) de Bauru, Gisele Baroni Saes, mostra-se mais otimista. “Temos nos reunido semanalmente com o secretário de Cultura e, pelo que conversamos, acredito que conseguiremos o dinheiro necessário”, afirma.

Vinagre deve aguardar até o final do mês para dar um parecer mais preciso sobre a viabilidade dos desfiles. “Não quero criar expectativas nas escolas. Por isso meu prazo é até dia 30 de novembro. Se até lá não tivermos avançado, desistimos”, afirma.

____________________

Sem dinheiro

A falta de recursos é apontada como o principal entrave para a realização do Carnaval. Paulo Canalli, chefe de Gabinete, explica que a prefeitura não possui recursos financeiros para investir na festa do próximo ano. “Lamentavelmente, não há como. Com tantos buracos na cidade, tudo que há para ser reformado, como postos de saúdes e escolas municipais, não sobra recurso. Seria um contra-senso, neste momento, destinar verba para o Carnaval”, observa. Porém ele afirma que a prefeitura apoiará a festa, seja ela com desfiles ou trio elétrico, com a infra-estrutura municipal.

O vereador Marcelo Borges (PSDB) critica a postura do executivo, alegando que o prefeito, como liderança da cidade, poderia conseguir recursos com a iniciativa privada. “A retomada do Carnaval foi uma promessa de campanha do prefeito. No primeiro ano de mandato ele alegou que não tinha verba. Agora estamos caminhando para o segundo ano sem Carnaval”, aponta.

Borges destaca a iniciativa do deputado Pedro Tobias. “Bauru precisa de uma festa popular. O Carnaval na cidade sempre foi um espaço democrático. Pode ser com som, com blocos, mas precisa ter vontade política de fazer algo”, afirma.

Lígia Ligabue

Comentários

Comentários