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Apenas 1% doa sangue regularmente

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

O dia do doador de sangue será comemorado no próximo sábado, mas o bauruense parece não estar preocupado em salvar vidas. Apenas 1% da população da cidade é doadora assídua de sangue. O índice em Bauru estaria abaixo do ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade estima que entre 3% e 5% dos habitantes devem ser doadores para que um adequado suprimento de sangue seja mantido.

O Hemonúcleo de Bauru conta com cerca de 75 mil pessoas em seu cadastro. No entanto, segundo o chefe do instituto, Marcos Roberto Turatti, apenas 5% deles, o equivalente a 3.750 cidadãos, são considerados doadores freqüentes, que exercem sua cidadania três ou mais vezes durante o ano.

Bauru tem uma população total estimada em 356 mil habitantes hoje. De acordo com o índice da OMS, o número de doadores no município deveria estar entre 10.680 pessoas (3% do total) e 17.800 indivíduos (5% do total). Como apenas 3.750 cidadãos são doadores assíduos na cidade, a porcentagem chega a exatos 1,05%.

No início do mês, o Hemonúcleo passou por dificuldades. O número de doadores, que normalmente chega a 70 pessoas por dia, baixou para 40 e o estoque ficou prejudicado. Até mesmo uma cirurgia que seria realizada no Hospital Estadual (HE) precisou ser cancelada, no último dia 9, para que o sangue fosse guardado e utilizado em intervenções de urgência.

O chefe do hemonúcleo confessa que apenas 30% das doações de sangue em Bauru são realizadas de forma espontânea. O restante, 70%, fica por conta de pessoas que procuram o Hemonúcleo com o intuito de ajudar amigos ou parentes hospitalizados.

De acordo com Turatti, uma somatória de fatores afugenta os doadores. “Muitos têm medo de agulha ou mesmo de contrair alguma doença, o que é impossível. Outras não conseguem conciliar os horários de doação com a rotina diária de trabalho. No entanto, mesmo com toda a divulgação na mídia, ainda existe uma parcela que ainda não tomou consciência da importância do ato”, afirma.

Na tarde de ontem, a reportagem do JC conversou com três doadores no Hemonúcleo.

A técnica em enfermagem Ana Cecília Duarte, de 26 anos, já é veterana no assunto. “É a quarta vez que eu dôo sangue espontaneamente”, conta. “Certa vez, minha avó precisou de transfusão e ela não teve problemas. Então, para que não falte para ninguém, eu faço a doação freqüentemente”, completa.

Novato, o estudante Rodrigo Torres Boldarin, de 21 anos, doou sangue pela primeira vez. “Dói menos do que aquele exame em que você precisa furar o dedo. Além disso é rápido, você fica deitado durante cinco minutos e nem vê o tempo passar”, afirma. Boldarin pretende repetir o ato praticado ontem. “Um dia, pode ser que eu também precise de sangue. Então, enquanto puder, vou ajudar”, diz.

Já o fotógrafo desempregado Obedes Cano Bonfim, de 39 anos, doava sangue pela segunda vez. “Quero fazer o bem para as outras pessoas. Se todo mundo tivesse essa consciência, os problemas do mundo iriam diminuir muito”, opina.

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Média

Segundo Marcos Roberto Turatti, chefe do Hemonúcleo de Bauru, de 21 de novembro de 2005 a 21 de novembro de 2006, 16 mil pessoas passaram pela instituição e doaram sangue. Uma média de 1,3 mil indivíduos por mês.

Temporariamente os estoques estão regularizados. No entanto, sempre existe uma apreensão durante o mês de dezembro, quando as doações caem e a demanda por sangue aumenta. Como a maioria das famílias costuma viajar, o número de acidentes rodoviários com vítimas aumenta, conseqüentemente são realizadas mais transfusões, o que preocupa a direção do órgão.

Com o intuito de equilibrar o estoque para o final do ano, o instituto formará uma equipe para realizar coletas externas em diversas cidades da região. Ao mesmo tempo, será feito um trabalho de conscientização incentivando a doação voluntária.

O Hemonúcleo de Bauru, além de atender todos os hospitais públicos da cidade, também é responsável pelo abastecimento de sangue nos 38 municípios sob a jurisdição da Direção Regional de Saúde (DIR-10), como Pederneiras, Macatuba, Duartina e Pirajuí, por exemplo.

O instituto fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h.

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