Bauru continuará tendo dois aeroportos em funcionamento. Ontem, o Departamento Aeroviário de São Paulo (Daesp) anunciou que manterá o balizamento (iluminação) e outros aparelhos necessários a pousos e decolagens no Aeroclube.
Assim que o novo Aeroporto de Bauru foi inaugurado - em 23 de outubro - o órgão comunicou que desativaria os equipamentos do local, o que forçaria a companhia aérea Pantanal, que opera no complexo, a transferir seus serviços para o novo terminal. O aeroporto só seria utilizado para vôos desportivos e particulares. Operações comerciais ficariam proibidas no local.
Entretanto, a medida inviabilizaria as aulas de vôo do Aeroclube e também o tráfego de aviões particulares, já que a pista ficaria sem sinalizadores e iluminação. Por conta disso, a diretoria do Aeroclube protocolou uma ação no Ministério Público, em Bauru, para impedir que o Daesp retirasse os equipamentos.
A entidade recebeu parecer favorável da Justiça e a infra-estrutura foi mantida.
“É bom não só para o Aeroclube, mas para toda a comunidade. O aeroporto da zona sul serve Bauru inteira com aviação executiva, regional, malotes”, comenta o presidente do Aeroclube, Fábio Freire Lara.
Para ele, a atitude do Daesp não foi uma surpresa. Lara alega que o órgão não teria autoridade para desativar o balizamento do local.
“Tanto procede essa informação, que as liminares da Justiça foram favoráveis ao Aeroclube. No nosso entendimento, a atitude dele (do Daesp) seria ilegal. A intenção era forçar a ida da Pantanal ao novo aeroporto. “Naquele momento, eles queriam inaugurar o aeroporto com a companhia para, talvez, colher dividendos políticos na época da eleição”, ressalta.
Lara disse que ainda não sabe se manterá o caso na Justiça. Conforme ele, a continuidade do processo dependerá da avaliação da assessoria jurídica do Aeroclube. “Não estamos movendo ação contra ninguém. Queremos apenas resguardar tudo o que tem aqui (no Aeroclube) hoje”, completa.
Ainda de acordo com Lara, o Aeroclube mantém 25 aeronaves, entre aviões e planadores, no aeroporto da zona sul. O terminal, também segundo ele, seria um dos três mais movimentados do Estado de São Paulo.
Atualmente, apenas a companhia aérea Pantanal opera comercialmente no aeroporto. Ela faz a linha Bauru-São Paulo, com embarque e desembarque em Congonhas. A empresa é contrária a transferir seus vôos para o novo terminal, que fica a cerca de 20 quilômetros do perímetro urbano de Bauru, por conta da distância e da falta de infra-estrutura que alega haver no local.
“O nosso vôo para São Paulo (partindo do Aeroclube) leva, em média, 50 minutos. Se o passageiro tiver que percorrer cerca de 30 minutos de carro para chegar ao novo aeroporto, que é o tempo médio que se leva para entrar no local, ele gastará mais da metade do tempo que se faz de avião de Bauru para a Capital”, comenta o diretor-técnico da Pantanal, Carlos Alberto Bourguignon.
Ele também disse que um levantamento da empresa apontou que o usuário dos serviços da Pantanal, se passasse a tomar os vôos no novo aeroporto, seria onerado em mais 25% sobre o custo que ele tem embarcando ou desembarcando no Aeroclube.