Tribuna do Leitor

Toma lá, dá cá


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Não tem jeito; o país continua sob a canga das trocas políticas, compras de apoio para ganhar eleições e cobranças das promessas feitas pelos favorecidos. Com a reeleição do homem que não sabia de nada, começaram as disputas por cargos pelos partidos que o apoiaram; e o homem que não sabia de nada, começa a tramar para que as vantagens das promessas revertam a seu favor e, obviamente, do PT.

Para ter a maioria do apoio dos seus representantes, o PMDB quer a presidência da Câmara e do Senado e a liderança nas duas casas. Como o PT também as deseja, as divergências já existem antes da festa ou o do desastre começar. O homem afirma que vai fazer a reforma ministerial só depois de fevereiro 2007; o assunto vira manchete, levando ao esquecimento os escândalos que o envolveram; o que lhe é conveniente perante o eleitor que tem a memória curta ou nenhuma memória, facilitando a enganação.

Embriagado pelo poder, será que acordos políticos para fins comuns lhe interessam? Que as alianças permitirão objetivos futuros em termos políticos-partidários? O PDT e o PV já aderiram; o PSDB aceita negociar; o presidente acena ao PL, PP e PTB para obter apoio. O homem quer mais apoio para robustecer-se politicamente e assegurar a cadeira ou para beneficiar o país? É pagar pra ver e ver a ação do pagador de promessas junto a tantos credores.

O que importa é que os homens que formarão o ministério sejam mais brasileiros; não só políticos administrando suas carreiras, interesses partidários e particulares. É o que o Brasil precisa. Que questionem os procedimentos que castiguem mais o já ferido “Gigante pela própria natureza”; não se deixando prender pelo rabo ou se afigurem, “Maria vai com as outras”, recebendo vantagens das raízes do mensalão ou “compensações” que existem há décadas, somando aos polpudos salários que nós pagamos.

E nesse toma lá e dá cá, o Brasil caminha engordando a pulga atrás da orelha. A economia e os investimentos estão em banho-maria; os sem-terra continuam invadindo propriedades sob a benevolência dos estrênuos protetores das leis; os jovens recém-formados continuam sem trabalho, o proletariado permanece sobrevivendo de bicos quando bicos conseguem; a violência, conseqüência do desemprego, da fome e da falta da estrutura na educação e no social, continuará sob debates dos entendidos que discutem e discutem sem nunca apresentarem soluções práticas.

Afirmo que não sou pessimista; sou mais um cidadão realista que acompanha como as coisas caminham neste país e que pintam aspectos desanimadores em relação ao seu crescimento; que depende, também e principalmente, da cultura global da Nação.

Sem cultura não adiantam esperanças. Sem o aprimoramento dos padrões de comportamento, sem o respeito e a prática das instituições que engrandecem uma sociedade, a esperança é apenas uma fantasia.

Que aconteça um milagre brasileiro virtual para virar o jogo.

E que o homem, sendo imparcial, justifique a sua escalação para apitar o jogo.

(Também sei jogar com metáforas).

Munir Zalaf - RG. 2.726.959

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