Nacional

PMDB confirma apoio total a Lula

Por Andreza Matais | Folhapress
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Brasília - O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), selou ontem a entrada do partido no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Temer, o partido deve formalizar essa coalizão com o governo Lula nos próximos dias. Depois de duas horas de reunião com o presidente Lula, Temer deixou o Palácio do Planalto avisando que o partido não está mais dividido entre governistas e independentes. O fim dessa divisão já havia sido estipulado por Lula como requisito para a entrada do PMDB no governo. Segundo Temer, o PMDB agora é “majoritariamente governista”.

O deputado negou que tenha recebido de Lula promessa de cargos em troca do apoio. “Não houve nenhuma conversa referente a ministérios, a cargos. Não era o nosso objetivo. Nossa concepção é a de que em face dos projetos a serem executados e a critério do presidente da República, se for o caso, para a execução destes projetos e para a conseqüência deles, o PMDB pode ser chamado para ajudá-lo na execução. Isso poderá ou não importar em ministérios e cargos para o partido”, disse.

O presidente Lula apresentou uma agenda mínima para o PMDB com suas prioridades para o segundo mandato. São sete pontos que contemplam as reformas política e tributária, medidas que garantam o crescimento do país no próximo ano em 5%, a consolidação de políticas de transferência de renda, a revisão do pacto federativo e a criação de um conselho político formado pelos partidos de coalizão. Recebeu o apoio do partido para tocar estas propostas.

Temer chegou acompanhado para o encontro com Lula do ex-governador Orestes Quércia (SP), dos deputados Henrique Eduardo Alves (RN), Moreira Franco (RJ) e Tadeu Filipelli (DF). Com exceção de Moreira, os demais são membros da Executiva nacional do partido. Reforma ministerial Antes de conversar com o grupo, Lula teve um encontro reservado com Temer que durou cerca de meia hora. Na ocasião, o presidente disse que não tem pressa de formar seu novo ministério.

Segundo relato do peemedebista, Lula afirmou que está com a equipe montada e que prefere primeiro construir uma coalizão em torno do seu governo para somente depois distribuir cargos. Quércia afirmou que Lula deixou a impressão de que só vai definir o novo ministério depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, indicando que vai negociar estes cargos para a montagem do próximo governo. O assunto provoca discórdia entre os partidos aliados.

O PMDB sustenta que tem direito à presidência da Câmara por ter eleito a maior bancada em outubro para a próxima legislatura. O PT alega, porém, que se o partido quiser continuar na presidência do Senado não poderá disputar o comando da Câmara. Ao deixar o encontro com Lula, Temer disse que o PMDB da Câmara obteve a maioria e deve “exigir” o comanda da Casa.

Oposicionistas

O presidente quer conversar com os seis peemedebistas que farão oposição ao seu governo. Segundo Michel Temer, o objetivo do presidente é tentar atrair o grupo para participar da coalizão que deve sustentar o seu segundo mandato. Lula foi informado da dissidência do PMDB ontem por Temer, quando convidou o partido oficialmente a integrar o governo. “Registrei que seis senadores não teriam condições de se alinharem ao governo. Isso não quer dizer que eles farão oposição ao governo ou qualquer movimento que possa prejudicar a participação do partido no governo. Apenas que não estarão alinhados”, disse.

Anteontem, Jarbas Vasconcelos (PE), Joaquim Roriz (DF), Garibaldi Alves (RN), Almeida Lima (SE), Mão Santa (PI) e Geraldo Mesquita (AC) anunciaram que não irão seguir a maioria do partido e que atuarão como oposicionistas ao presidente Lula. “Somos oposição ao governo. O partido inteiro ele não tem”, disse Jarbas.

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