As casas de materiais de construção podem passar a lucrar mais com as classes D e E da população brasileira. A pesquisa “Consumo na Era Lula”, realizada pela LatinPanel, aponta que essa categoria, cuja renda mensal não ultrapassa R$ 1.400,00 (quatro salários mínimos), tem adquirido maior poder aquisitivo nos últimos quatro anos. O levantamento apurou que se a renda dessas pessoas melhorasse ainda mais, a prioridade delas seria reformar a própria casa.
Entre os entrevistados, 29% optariam por essa medida, contra 23% que destinariam o dinheiro a outras compras e 15% ao pagamento de dívidas. O soldador José Maria Silva, 46 anos, é um reflexo fiel dos resultados mostrados pela pesquisa. Para ele, ficou mais fácil guardar dinheiro nos últimos anos. Por conta disso, pretende investir as economias que ainda está fazendo em melhorias na casa onde mora com a mulher e os filhos, no Núcleo Mary Dota, em Bauru.
“O supermercado ficou mais barato, assim como o material de construção, a roupa, o calçado. Hoje, consigo guardar R$ 400,00 por mês. Antes, era muito difícil fazer isso. Pretendo reformar a garagem e trocar o encanamento da casa até março”, comenta o soldador, que possui renda de R$ 1.100,00 por mês.
O poder de compra também ficou mais gordo para o conferente de medicamentos Evandro Luiz da Silva, 21 anos, que já está ajudando a mãe a ampliar alguns cômodos da casa onde vivem, no Núcleo Mary Dota. “Vamos fazer mais um quarto, um banheiro e uma área com dinheiro que, antes, não conseguiríamos poupar. Acho que a comida ficou mais barata. Resumindo, viver ficou mais em conta. Conseqüentemente, dá para ter mais coisas”, avalia. Ainda segundo Silva, sua renda somada à de sua mãe não ultrapassa R$ 1.200,00.
A pesquisa destaca que essa tendência tem sido motivada, principalmente, pela queda do preço dos alimentos da cesta básica, também pela intensa oferta de crédito e, conseqüentemente, pelo aumento da renda da população.
Para o aposentando Vicente Tavares, 62 anos, não houve melhorias no poder aquisito das pessoas. “Eu continuo comprando o essencial para sobreviver. Não dá para aumentar as despesas, o dinheiro continua curto. Na minha opinião, continua difícil viver no Brasil”, observa ele, que mora no Núcleo Beija-Flor, em Bauru.
Fatores
O economista Mauro Fernando Gallo explica que o crescimento do poder de compra das classes D e E é resultado dos auxílios sociais do governo, como o Bolsa-Família, por exemplo. Ele também considera que esses consumidores, como pertencem às esferas mais baixas de renda, sentem com maior impacto o aumento do salário mínimo, por menor que seja.
“É um aumento real para essa categoria, porque no caso dela, o crescimento da renda fica acima da inflação. Não é o nível adequado, mas melhorou significativamente para eles”, observa Gallo.