O prefeito Tuga Angerami (sem partido) enviou nota à imprensa ontem refutando qualquer possibilidade de discutir eventual abafa à instalação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) pelo Legislativo em troca de demitir Paulo Sérgio Canalli da chefia de Gabinete. De outro lado, o prefeito também enviou pelo menos duas cartas protocoladas a vereadores oposicionistas pedindo para que enviem informações sobre eventuais irregularidades em outras pastas do governo para ele, prefeito, apurar. A administração não manifestou, de outro lado, nenhuma informação sobre a permanência do tesoureiro da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), João Antonio Gonçalves, na pasta enquanto estão em andamento a auditoria e sindicância administrativa internas. Leia matéria na página 4 a respeito.
Na nota oficial, o prefeito diz que foi surpreendido por informações veiculadas pela imprensa dando conta de que “vereadores poderiam propor um acordo condicionando a não abertura de Comissão Especial de Inquérito à substituição do Chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli. A respeito do assunto, Tuga Angerami informa que nenhuma proposta foi feita até o momento e acredita que ela jamais irá ocorrer”.
O chefe do Executivo procura elogiar a imagem do Legislativo no papel fiscalizador, na nota à imprensa, mas não comenta se considera natural ou não que esse papel seja efetuado por mecanismos internos e não, necessariamente, por ações apenas do poder a qual pertence, através da Corregedoria. Na seqüência, Angerami elogia a postura do presidente da Câmara, Antonio Carlos Garmes (PSDB).
“Tuga Angerami avalia que a idéia de um suposto acordo pode até florescer isoladamente na cabeça de alguém, mas entende que a proposta não encontrará guarida na instituição”, diz o Executivo na mensagem. Depois, ele garante que Canalli permanece no cargo. “O prefeito reitera que o Chefe de Gabinete é um colaborador importante e que ele permanecerá no cargo. É natural que quem administra com firmeza e seriedade angarie admiradores e desafetos, mas deixa claro que não aceitará esse tipo de acordo”, acrescenta.
Carta a vereadores
Como reação ao período de denúncias contra possíveis irregularidades na Sear e menção de que seriam necessárias averiguações também em outras pastas, o prefeito Tuga Angerami toma uma medida inédita na história recente da política local: envia cartas protocoladas a vereadores pedindo informações e avisando que vai apurar tudo.
Isso foi realizado pelo menos em relação ao tucano Marcelo Borges e o petista José Carlos Batata, conforme apurou o JC ontem. Nos bastidores, a medida foi vista sob dois ângulos. Um é o de que, com este expediente, o prefeito se posiciona no sentido de adiantar que vai apurar, o que eliminaria qualquer hipótese de ser cobrado por omissão depois.
Outra interpretação para as cartas aos parlamentares é a de que, com isso, o prefeito tenta garantir que as apurações ocorram mas em seu campo, ou seja, pelo Executivo, o que poderia colaborar para evitar eventual CEI, ou pelo menos reduzir as chances de defesa de tal medida pelo outro poder.
Mas o Executivo, de seu lado, justifica que o ofício tem o sentido de solicitar colaboração nas investigações de quaisquer fatos, advertindo para que a intimidade e honra de pessoas não sejam atingidas antes de qualquer procedimento.
Por fim, a administração ainda não comentou sobre a situação do tesoureiro João Antonio Gonçalves, da Sear, personagem considerado estratégico para o levantamento de ações que poderiam apontar para antes mesmo do início do governo, ainda no período eleitoral.
Ontem, o Ministério Público Estadual, através de Fernando Masseli Helene, enviou ofício para a área criminal e ao Legislativo sobre a apuração em relação à Sear. Masseli quer antecipar à área criminal o que foi encaminhado e saber que medida o Legislativo adotou em relação ao caso.