Beirute - O funeral do ministro da Indústria Pierre Gemayel, - assassinado a tiros em Beirute há três dias - levou centenas de milhares de libaneses às ruas e acabou por se transformar em ato anti-Síria ontem. Segundo a polícia libanesa, cerca de 800 mil pessoas participaram do cortejo. Como era esperado, a multidão que participou do funeral transformou o cortejo em uma manifestação contrária à oposição política libanesa, ligada ao grupo islâmico extremista xiita Hizbollah, e à influência da Síria no país.
Os manifestantes queimaram fotos do presidente da Síria, Bashar al Assad, e de líderes libaneses pró-Síria. Parte dos protestos foi dirigida ao presidente do Líbano, Emile Lahoud, que apóia a Síria, e várias pessoas levavam cartazes pedindo sua saída do governo.
Gemayel, assim como o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, era contrário à influência síria no Líbano. O presidente não participou do funeral. Ele permaneceu no palácio presidencial, onde a segurança foi reforçada, por temor de que a multidão fosse até lá para exigir sua renúncia.
Manifestantes também protestaram contra o Hizbollah, que havia convocado outros protestos em um esforço para derrubar Siniora. O grupo xiita, no entanto, cancelou o ato após a morte de Gemayel, e afirmou que não convocará novas mobilizações até que a situação se acalme.
Apesar disso, o Hizbollah acusou a maioria anti-Síria do Parlamento de usar o assassinato de Gemayel para pressionar o governo por seus objetivos políticos. “Estávamos prestes a sair às ruas”, disse Hussein Khalil, conselheiro político do líder do Hizbollah, Hassan Narsrallah. “O governo estava em um grande impasse. Eles precisavam de sangue para servir como um tipo de oxigênio, que daria a eles uma nova vida.”
Pela manhã, o Exército libanês estava mobilizado na Capital, em particular no centro da cidade, para se preparar para o funeral do ministro. Uma multidão que empunhava bandeiras do Líbano e de partidos cristãos - entre eles, a do partido Falange, de Gemayel - lotaram a praça dos Mártires, no centro de Beirute, antes do funeral na Catedral de São Jorge dos Maronitas. Unidades do Exército bloqueavam os acessos à praça.
Na noite de anteontem, foram armadas barreiras para proibir a entrada dos carros no centro da cidade, onde pequenos grupos de libaneses começaram a se reunir. O comércio estava fechado e as ruas quase desertas, por causa do luto nacional de três dias decretado pelo governo.