Economia & Negócios

Homens de 16 a 24 anos da classe média são principais poupadores

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O anseio de morar sozinho para delimitar seu próprio espaço e planos, levou o universitário Braythner Carvalho, 23 anos, a investir R$ 100,00 por mês numa caderneta de poupança. As economias são feitas desde 2004 e já somam mais de R$ 4 mil. “Quero ser independente, alugar um apartamento e mobiliá-lo com o dinheiro do meu próprio trabalho”, diz decidido o rapaz.

Carvalho é o retrato fiel do poupador brasileiro, cujo perfil mostra a predominância de homens com idade entre 16 e 24 anos, segundo aponta pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). O levantamento também revela que o investidor, em geral, vem da classe média e tem objetivos bem definidos.

“Abrimos cerca de 60 contas poupança ao mês para esse público. Normalmente, os investidores trabalham, fazem faculdade e, em geral, poupam até R$ 200,00”, diz a gerente de relacionamentos da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, Adriana Rosa Silva.

Outra característica observada nos poupadores, segundo a gerente, é que uma parcela expressiva deles passa a investir num fundo criado pelos próprios pais, quando os filhos ainda eram crianças.

“Meu pai começou a investir em meu nome desde 1983, quando eu tinha 3 anos de idade. Hoje, o dinheiro que poupo vai para essa conta, mas o valor que foi juntado por ele está bloqueado”, comenta Braythner, que pretende juntar mais dinheiro para terminar de pagar sua moto e ter seu próprio apartamento.

Para o economista Fernando Pinho, o interesse dos jovens em fazer um “pé-de-meia” reflete preocupação com o futuro.

“As pessoas estão percebendo o que está acontecendo com o Brasil, no sentido do problema da Previdência, da falta de emprego e de perspectiva. É um fenômeno de resguardo. Na verdade, esses jovens temem que a situação possa ficar muito complicada lá na frente”, observa.

É o caso do técnico de informática Patrick Daniel Martins, 17 anos. Atualmente, ele separa cerca de 60% de seu ordenado para uma caderneta de poupança, que já contabiliza R$ 4 mil. O objetivo é investir o dinheiro nos estudos. “Quero me graduar em informática e, se eu não passar numa faculdade pública, vou optar por uma privada”.

O empenho e a determinação de Martins são tão grandes que ele não se importa de abrir mão do consumo. “Tenho deixado de ir nos eventos de sábado à noite, de comprar roupas, tênis. Mas na minha opinião, vale a pena, porque depois vou poder conquistar tudo isso. Primeiro é preciso pensar no futuro, que se resume em estudo, muito estudo”, pondera Martins.

“As pessoas estão entendendo que não é prudente deixar para pensar na autonomia financeira muito lá para frente, e que também depender da Previdência e do emprego como fontes de renda é uma decisão perigosa”, observa Pinho.

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Bolsa

O economista Fernando Pinho também entende que a popularização dos investimentos na Bolsa de Valores tem motivado os jovens a poupar renda. “Tem muito jovem aplicando na Bolsa. É óbvio que são valores pequenos, porque eles não têm tanto dinheiro à disposição. Porém, é um sinal de maturidade do mercado e de consciência dessas pessoas”, avalia.

Pinho acredita que essa tendência da juventude brasileira também revela que a população está entendendo que, cada vez menos, poderá contar com o auxílio do governo na aposentadoria, principalmente por uma questão de responsabilidade consigo e com a própria família.

“Hoje, quanto mais cedo as pessoas começarem a se preocupar para esse período de aposentadoria, mais qualidade de vida reservarão para quando chegarem lá”.

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