Internacional

Xiitas queimam 6 sunitas vivos no Iraque

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Em uma vingança pela série de atentados em Sadr City anteontem, que deixou mais de 200 mortos, uma milícia xiita matou ontem 25 árabes sunitas - seis dos quais foram encharcados com querosene e queimados vivos - perto de um posto do Exército iraquiano na capital.

A suposta vingança foi realizada em retaliação às explosões de anteontem, que constituem o pior incidente de violência sectária desde o início da Guerra do Iraque, em 2003.

Com a onda de violência de ontem, especula-se que o país - já mergulhado no caos- poderá enfrentar uma piora ainda maior nos conflitos sectários. Em outubro, o número de mortes entre civis no Iraque chegou a 3.709 pessoas, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado há dois dias.

Durante o ataque aos sunitas ontem, soldados iraquianos que trabalhavam em um posto próximo do local apenas observaram e não intervieram quando a milícia xiita do Exército Mahdi, armada com metralhadoras e lança-granadas, tomou o bairro de Hurriyah.

Os guerrilheiros queimaram quatro mesquitas e várias casas, além de atacarem civis que se dirigiam para casa após o trabalho, de acordo com o capitão de polícia Jamil Hussein. Hussein confirmou que ao menos 25 sunitas morreram e 14 ficaram feridos na ação dos guerrilheiros.

O ataque começou por volta das 14h15 (9h15 pelo horário de Brasília), violando um toque de recolher de 24 horas decretado pelo governo para tentar conter a violência. Homens armados leais ao clérigo radical xiita Moqtada al Sadr, líder do Exército Mahdi, começaram a ocupar o bairro de Hurriyah no último verão, forçando a fuga de muitos sunitas.

Em outros ataques ontem, ao menos 22 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas na cidade de Tal Afar (norte de Bagdá) quando dois suicidas detonaram bombas simultaneamente. As explosões, que aparentemente tinham civis como alvo, foram realizadas em um mercado de veículos ao ar livre.

Tal Afar, que fica perto da fronteira com a Síria, já foi uma região dominada pela insurgência de grupos sunitas ligados à rede terrorista Al-Qaeda. Os grupos haviam sido combatidos na região e, antes destes ataques, a cidade era considerada um exemplo bem-sucedido das ações de contra-insurgência do Exército dos EUA.

A maioria da população de Tal Afar é de etnia turca. Há tanto seguidores dos sunitas quanto dos xiitas na região. A comunidade sunita em Tal Afar alertou, no entanto, para a chegada das forças de segurança iraquianas dominadas pelos xiitas, que sob a supervisão dos EUA, estariam oprimindo e discriminando a população sunita.

A Casa Branca afirmou ontem que a série de explosões em Sadr City anteontem foi um “ato sem sentido” planejado para causar instabilidade no Iraque. “Os EUA estão comprometidos com a ajuda ao povo iraquiano”, disse o porta-voz do governo Scott Stanzel.

Ontem o balanço das mortes causadas por estas explosões já subiu para mais de 200 vítimas, de acordo com informações divulgadas pela TV iraquiana Al Iraqiya e pelo jornal americano “The New York Times”. Além dos mortos, as explosões de seis carros-bomba e dois ataques com morteiros deixaram outras 250 pessoas feridas.

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al Maliki, ordenou que as forças de segurança sejam deslocadas para as vias que ligam Bagdá à região de Nayaf, para garantir a segurança dos cortejos fúnebres que seguiram para a cidade, localizada 150 quilômetros ao sul da Capital. Al Maliki não soube dizer de quanto serão as indenizações para as famílias das vítimas, nem que organismo governamental será responsável pela compensação financeira.

Comentários

Comentários