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Palavra cruzada faz bem à saúde

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Em um primeiro momento, as palavras cruzadas podem parecer um passatempo que não leva a lugar nenhum. Afinal, que vantagem temos em saber quantas pernas tem uma aranha (quatro letras) ou qual a primeira capital da Assíria (cinco letras)? Aparentemente, nenhuma. Mas na verdade, as vantagens são muitas e comprovadas cientificamente.

As palavras cruzadas ou qualquer outro exercício que estimule a atividade intelectual ajudam a manter a mente saudável. Quanto mais se usa o cérebro, melhor ele funciona e mais protegido está de doenças e da degeneração, como o mal de alzheimer e outros casos em que há perda de memória.

Segundo o geriatra Guilherme Pupo Ferreira Alves, com o passar do tempo a capacidade de armazenamento da mente humana vai diminuindo. Por isso, quanto mais estimular o cérebro, melhor será para a concentração e a memória.

Ele conta que todos os pacientes que apresentam uma diminuição no déficit cognitivo recebem a mesma recomendação. “Estimulamos muito as palavras cruzadas, jogos de memória, sudoku, jogo de baralho, leitura e outras atividades”, diz o geriatra.

Mas não basta apenas ler. Tem de conversar com outras pessoas sobre aquilo que leu para ativar a memória. “Eu sempre peço ajuda da família para fazer isso”, revela. Ter uma agenda também ajuda, porque além de anotar as coisas que precisam ser feitas, ela faz com que a pessoa saiba em que dia do mês e da semana está.

“A pessoa que lê muito, que tem uma intensa atividade intelectual, desenvolve o cérebro e melhora o poder de concentração.” Segundo o geriatra, agenda, palavras cruzadas, jogo de baralho e leitura de jornais e revistas é como se fosse um kit contra as doenças degenerativas.

A doença de alzheimer, por exemplo, normalmente afeta as pessoas a partir dos 60 anos. Quanto mais velha, maior a incidência da doença. Gradativamente, vai perdendo-se a memória. Os pacientes que têm o costume de exercitar a mente conseguem prorrogar ou retardar a evolução da doença.

“Encontrar um conhecido na rua e não lembrar o nome dele é normal até entre os mais novos, mas com os idosos isso acontece com mais freqüência”, lembra Alves. Mas quando os lapsos de memória começam a comprometer é preciso uma atenção especial para o problema.

O grande interesse que as palavras cruzadas despertam nas pessoas é facilmente notado no número de ligações que o JC recebe de leitores preocupados em valorizar o espaço destinado diariamente a esse passatempo e em conversas com donos de bancas.

A estudante de enfermagem Érica Blanco, 22 anos, que trabalha em uma banca de revistas localizada na quadra 4 da rua Gerson França, afirma que as palavras cruzadas são campeãs absolutas de vendas. O público consumidor, segundo ela, é formado basicamente pelos mais idosos, mas há boa saída também entre os mais jovens.

Érica conta que seu avô, de 92 anos, é uma prova de que palavras cruzadas e jogo de baralho melhoram a memória. Segundo ela, os efeitos foram claramente notados depois que o avô adquiriu o costume de praticar essas duas atividades.

Osvaldo de Oliveira Barbosa, dono de uma banca no Altos da Cidade, confirma a grande procura por revistas de palavras cruzadas. Segundo ele, todo tipo de passatempo vende bem.

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Hábito

O advogado Ademar Pavani não lembra exatamente quando começou a gostar de palavras cruzadas. Ele sabe apenas que faz muito tempo. Antes de mudar para Bauru, há sete anos, ele morava e trabalhava em Cascavel (PR). Já naquela época tinha o hábito de preencher as palavras cruzadas que eram publicadas no jornal local.

Em Bauru, Ademar cultiva o mesmo hábito, mas não se limita apenas à palavra cruzada que é publicada diariamente no Jornal da Cidade. Para garantir um pouco mais de distração e conhecimento, ele tem o costume de comprar revistas de palavras cruzadas.

“Além de exercitar a memória, a gente aprende muita coisa (com a palavra cruzada), desde fatos históricos até palavras que não conhecia”, comenta.

A professora de portu-guês e alemão que se identificou apenas como Mazé foi encontrada pelo JC comprando revistas de palavras cruzadas. O hábito, segundo ela, vem desde a juventude. Sempre que uma revista é inteiramente preenchida, ela compra outra. “Eu nunca fico sem”, afirma.

Mazé diz preferir o nível médio de dificuldade das palavras. “Se for fácil não tem graça”, justifica. E a professora já está se movimentando para formar uma nova geração de apreciadores de palavras cruzadas. Ela conta que está ensinando sua sobrinha de 5 anos a jogar. E a menina já está gostando da brincadeira.

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