João Avelino Gomes, um dos mais carismáticos - e folclóricos - teinadores do futebol brasileiro, morreu aos 77 anos de idade, vítima do Mal de Alzheimer. Avelino foi técnico do Noroeste em duas oportunidades.
Ele montou o supertime que ficou em quinto lugar no Campeonato Paulista de 1960, campanha superada esse ano, com o quarto lugar. Mas em 60, o Paulistão tinha 20 clubes, com turno e returno, enquanto a competição de 2006 teve 16 equipes que participaram só de um turno.
Avelino começou a se projetar em 1958, quando colocou o América na Primeira Divisão. Por sinal, foi no clube de São José do Rio Preto onde o popular 71 mais trabalhou: em dez ocasiões.
Em março de 1960, João Avelino chegou a Bauru, procedente de Campinas - trabalhou no Guarani em 1959 - para montar o forte time. Sua estréia oficial foi num amistoso contra o Palmeiras, em maio, na inauguração do Estádio Ubaldo Medeiros, que durante a revolução de 1964 voltou a se chamar Alfredo de Castilho. O Norusca venceu por 3 a 2.
A campanha do Noroeste no Campeonato Estadual era espetacular, chegando a ameaçar a liderança do Santos de Pelé. Com isso, clubes de todo o País começaram a se interessar por João Avelino. O treinador acabou não resistindo a proposta da Ponte Preta e deixou o Norusca após a primeira rodada do returno. Mas não conseguiu salvar a Ponte, que em 1960, sofreu o primeiro rebaixamento de sua história.
Joaquim Loureiro assumiu, mas o Noroeste nem precisava de treinador, porque o time montado por Avelino jogava sob música e se manteve afinado até o final da competição.
Grande descobridor de talentos, João Avelino lançou o então garoto de 16 anos, Romualdo, assim como Toninho Guerreiro, que foi o artilheiro do time em 60, mesmo participando apenas do segundo turno. Com Toninho na equipe, Maneca perdeu a condição de titular.
João Avelino falava com orgulho de ter revelado Toninho Guerreiro, único jogador pentacampeão paulista - 67, 68 e 69 pelo Santos; 70 e 71 pelo São Paulo. Avelino e o saudoso dr. Newton Ribeiro, médico que amava futebol, viram Toninho num jogo de mirins, no antigo campo do quartel - agora Jardim Santana - e levaram o garoto para o Noroeste.
Julião Pedro e Geraldo; Romualdo, Gaspar e Gualberto; Batista, Maneca, Zé Carlos, Leal e Gélson - este era o timaço. Durante o Paulistão, Aldemar substituiu Pedro, Pacheco ganhou a vaga de Gaspar e Bassu entrou no lugar de Gualberto. Osvaldinho revezava-se com Batista.
Como naquela época preparador físico em clube profissional era uma raridade, coisa de primeiro mundo, João Avelino acumulava funções. E o condicionamento físico do plantel - agora chamado de elenco, grupo - era dos melhores, apesar dos métodos nada convencionais. Os individuais, como eram chamados os treinos físicos, duravam quase duas horas, os jogadores rastejavam, como nos exercícios militares.
Em 1961, Avelino retornou ao Noroeste, mas ficou só quatro meses no cargo. Em 1980 ele voltou, mas não ficou. O treinador chegou a Bauru na última semana de abril, orientou dois coletivos e faria sua reestréia dia 1º de maio, um domingo pela manhã, contra a Portuguesa, no Canindé.
João Avelino não viajou com a delegação. Ficou de se encontrar com a equipe no hotel onde o Noroeste se hospedou, em São Paulo, mas não se apresentou. O mistério aumentou no dia seguinte, no Canindé. E como Avelino não chegava, o preparador físico João Gualberto Filho - foi também técnico do clube, além de jogador - orientou o time do banco.
Além de América e Noroeste, o carismático treinador teve boa passagem pelo Remo e clubes do Piauí. Ele trabalhou em outras equipes do País, dezenas do Interior paulista, mas só foi treinador de um clube grande, a Portuguesa, em 1971, onde ficou um ano e meio.
Outro grande momento de Avelino, na carreira de meio século de treinador, foi em 1977, como auxiliar técnico de Oswaldo Brandão. O Corinthians sagrou-se campeão paulista, acabando com um jejum de 23 anos.
João Avelino tinha o apelido de 71, o seu número no curso do Senai. O último time que ele trabalhou foi o paraguaio Cerro Porteño, como assistente do técnico Paulo César Carpeggiani.