O dado não chega a ser novidade, mas serve de alerta: os resultados da Prova Brasil - realizada em novembro do ano passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC) - mostram que a educação em Bauru carrega contrastes imensos.
Isto porque a diferença entre as médias obtidas pelas escolas municipais de ensino fundamental (Emefs) da cidade que participaram do exame chegou a mais de 50 pontos.
Entre os alunos de 4.a série, o melhor desempenho foi o da Emef “Aníbal Difrância” (situada no Parque São Geraldo), que obteve 208,34 pontos de nota - desempenho, por sinal, bastante superior à média geral do município (185,74) ou mesmo do Estado (176,61).
De outro lado, a Emef “Dirce Boemer Guedes de Azevedo”, localizada no Parque Ferradura Mirim e inaugurada oficialmente em dezembro de 2004, antes mesmo de estar concluída, obteve média de apenas 157,63 pontos na prova de português.
Várias causas podem explicar essa diferença nos desempenhos. Funcionando desde de a metade da década de 1980, a Emef “Aníbal Difrância” encontra-se há anos bem estruturada.
Os estudantes (de diversas procedências sociais) costumam manter uma relação estável com a instituição, a ponto de alguns freqüentarem o local durante todo o ciclo fundamental de ensino (no caso, oito anos).
Realidade semelhante pode ser encontrada em outra Emef de Bauru que também obteve boas notas na Prova Brasil. A “Santa Maria” (localizada na Vila Cardia), que tem mais de 50 anos de existência, costuma registrar enormes filas de pais à espera de vagas para os filhos.
Na “Dirce Boemer”, porém, a situação é bem distinta: nova, a escola foi inaugurada praticamente sem condições de ser usada pelos alunos. Durante parte do ano passado, as crianças tinham de ser transportadas até outra escolas da cidade para poderem assistir às aulas. Desde essa época, é grande o número de faltas entre os estudantes da Emef.
Esse “nomadismo”, aliás, não ficou restrito a apenas um local de Bauru. Ano passado, alunos da Emef “Waldomiro Fantini” também tiveram de usar salas cedidas por outras instituições de ensino da cidade, enquanto aguardavam pelo término das obras da escola.
Mesmo com tantos problemas, a situação da educação fundamental da cidade está longe de poder ser classificada como ruim. As notas das 14 Emefs da cidade que participaram da prova foram bem maiores do que as médias gerais do Estado (quase dez pontos de diferença).
Ainda assim, a Secretaria Municipal de Educação espera melhorar o desempenho de Bauru em futuras avaliações do gênero.
“O trabalho pedagógico é uma busca incessante por qualidade. Vamos lutar e tentar conquistar resultados cada vez mais positivos nos próximos exames”, diz a diretora da divisão de ensino fundamental de Bauru, Denise Rosa Ramirez.