Tudo pode começar com uma simples dieta para perder uns quilinhos extras, mas, sem acompanhamento médico, o regime vai se prolongando além dos limites. As costelas ficam proeminentes, mas aquela barriguinha ainda incomoda. E haja exercícios físicos para dar conta.
Assim, aos poucos, a anorexia vai se instalando. E o pior é que o doente nem se dá conta, não aceita que tem um problema. E na maioria dos casos, nem as pessoas próximas ao anoréxico percebem que ele precisa de ajuda.
A doença ganhou destaque com morte da modelo Ana Carolina Reston que, aos 21 anos, morreu de infecção generalizada. Com 1,74 m, ela pesava 40 kg. Para Bernardo Lichewitz, diretor de endocrinologia do Hospital do Servidor Público Estadual, um agravante é que “há muitos casos sem diagnóstico: as pessoas vêem outras muito magras, mas não percebem”.
O médico afirma que a doença é mais freqüente em mulheres, “que são mais submetidas a certos padrões de beleza’’, e, quase sempre, começa em casa. “Em geral, tem início com uma dieta para emagrecer, só que a pessoa esquece de parar.”
Um sintoma importante, nas mulheres, é a interrupção da menstruação. Além disso, praticamente todos os doentes sofrem de bradicardia, uma freqüência cardíaca mais baixa. “Para se defender da falta de alimento, o organismo muda, fica mais lento. De 80 batimentos por minuto, há pacientes que chegam a ficar com menos de 40, por exemplo”, diz o médico.
A família deve ficar de olho em atitudes suspeitas, como rejeição a comida e exagero de exercícios físicos. Lichewitz diz que o importante para evitar o problema é uma boa estrutura familiar. “Muitas vezes, há uma criança obesa na família e os pais ficam estimulando dietas. Isso não é bom, a menos que haja risco para a saúde”, afirma o médico, que diz que os doentes de anorexia têm em comum a baixa estima. O tratamento deve ser feito com o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
O psicólogo Luiz Delfino Mendes também afirma que a autopercepção dos doentes é o maior problema, e reafirma a importância de um ambiente familiar acolhedor. “A doença normalmente decorre de um problema no relacionamento afetivo, principalmente com a mãe. É essencial que a família ofereça um ambiente amoroso desde o nascimento.”
Para Mendes, o bom resultado do tratamento depende da disposição do paciente. “Já atendi casos em que houve uma resolução em menos de um mês. Eu defendo uma abordagem sem uso de remédios para que a pessoa não se afaste ainda mais de seu corpo, mas o resultado depende do paciente”, conta.