Será que a mídia, os formadores de opinião, os honestos deste país, permitirão a articulação do Congresso para o aumento dos próprios salários, dos R$ 12.847,20 para R$ 24.500,00, que é ‘o valor dos vencimentos dos ministros do STF'? Vejam que eles não querem pouco não, ou seja, uma ampliação de mais de 90%, sendo que a inflação do ano gira em torno de 3%. Quatro anos sem reajuste significaria 12% de aumento, no máximo. Mas eles não ganham só isso, pois, incluindo as verbas e ajudas de custo, um deputado recebe R$ 93.000,00. Dá nojo dizer e saber disso. E foi um jornal estrangeiro que denunciou este disparate, pois estamos falando de Brasil, onde paga-se muito imposto sem retorno (os pobres não têm um retorno digno de serviços públicos, a classe média e os ricos não têm retorno nenhum). Além disso, os miseráveis e remediados são maioria neste país, e a máquina administrativa federal é inchada, lenta e cara. Os três poderes precisam se ajustar à categoria de país pobre e desigual.
Não nos iludamos, no capitalismo, o poder, o dinheiro, a ganância e os favorecimentos são os deuses supremos, não faz diferença nenhuma o nosso voto, se o presidente é do povo ou da elite, se o candidato é situação ou oposição, pois o mecanismo deste sistema é injusto, corrupto e corruptor.
Para sobrecarregar ainda mais os gastos públicos, os aumentos vêm em cascata. O STF já pleiteia um reajuste, fato que recairá sobre o Judiciário, que já teve, antes das eleições, um vergonhoso aumento que chegou a até 50%, e, em contrapartida, os aposentados do INSS, que recebem acima de um salário mínimo, terão agora um reajuste de 5,01%. Por que o governo não impõe esse índice para todo o funcionalismo federal? Lógico que não, porque para poder ser reeleito, o presidente Lula contou com esses segmentos e também com os mais pobres (bolsa-família).
Quanto engano esta bolsa-família! O maior problema do planeta hoje é a superpopulação, geradora de miséria, de fome, de competitividade, responsável pela escassez dos recursos naturais e destruição da natureza. Está sendo impossível suprir as necessidades básicas de milhões de pessoas deste planeta, e a bolsa família-educação e outros subsídios estão aí para piorar a situação a longo prazo, incentivando os pobres a terem mais filhos. É pobre gerando pobre, famílias numerosas e carentes que oneram o sistema assistencialista público, contudo, tal situação é mantida, porque são pessoas que votam e constituem uma mão-de-obra barata para os ricos e latifundiários.
Ao invés de auxílios e esmolas, o governo deveria desenvolver programas eficazes de controle de natalidade, educando a população para que limite e programe a vinda de filhos com mais responsabilidade. Se os pais não puderem dar aos filhos uma vida razoável e digna, se não tiverem condições financeiras e emocionais, é melhor não tê-los, e aí entra o papel do governo (se for sério e sábio), a orientar e oferecer possibilidades de planejamento familiar. Já tem gente demais no mundo, adotar crianças necessitadas é também uma das soluções.
José M. Viana de Macedo - professor e biólogo - RG 6.527.158