Nenhum produto estava em promoção. Tampouco alguém foi furtado ou passou mal. Ontem, na feira livre da rua Gustavo Maciel, no Centro de Bauru, uma figura inusitada chamou a atenção das pessoas, que acabaram levando um pouco mais de tempo para fazer a compra da semana.
Um “homem-robô” – para ninguém pôr defeito – roubou a cena na feira. “Impressionante. Que talento. Maravilhoso mesmo”, comentava com o filho a atendente Terezinha Horni Nogueira, enquanto observava as performances do artista.
A primeira impressão era de que tratava-se, de fato, de um boneco prateado, cujos movimentos robotizados reforçavam a idéia de irrealidade.
Na verdade, o “homem-robô” é um personagem interpretado pelo mineiro de Itabira Valdecir Motovios, 25 anos. Como ele próprio revelou, vive de passagem pelas cidades brasileiras. Seu objetivo é divulgar o talento artístico que possui e conseguir dinheiro para se especializar na carreira artística. Cursar uma faculdade relacionada com a área é um dos sonhos do expressionista.
“Bauru me surpreendeu. As pessoas daqui sabem ler, interpretar o artista. Elas respeitam o direito da gente. Entre todas as cidades que já passei, em nenhuma senti esse carinho, essa atenção do público”, destaca.
O trabalho do artista não é fácil nem barato. Segundo ele, cada apresentação exige investimento de R$ 20,00, o custo dos 250 mililitros de purpurina alemã prateada que passa no corpo. E a produção, garante Motovios, é própria. “A maquiagem fica toda por minha conta”, afirma o “homem-robô”.