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Há 12 anos, terreno acumula lixo

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Há 12 anos, a prefeitura desapropriou duas casas na Bela Vista, demoliu os imóveis, não implementou nenhuma obra e, até hoje, não tem nenhum projeto para urbanizar a área. O acúmulo de lixo e o descaso do município indignam os moradores da vizinhança, que vivem com medo de contrair doenças ou serem vítimas de assaltos ao passar pelo local.

O terreno é extenso e liga a quadra 4 da rua Beiruth à quadra 4 da rua Comendador Leite. O mato não é alto no lugar, talvez porque a área seja utilizada como passagem de pedestres. Além disso, não existem muros que impeçam o depósito de lixo no local, que esporadicamente também serve de “cemitério” para cães.

Como se não bastasse a preocupação com o lixo e o risco de assalto, a vizinhança vive constantemente com medo da leishmaniose. Segundo uma moradora, existe a suspeita de que dois habitantes da região próxima ao terreno “esquecido” estejam com a doença.

A professora aposentada Ercy de Oliveira mora há mais de 50 anos no bairro e é vizinha do descampado desde o seu surgimento. “Existiam duas casas que foram desapropriadas e depois demolidas pela prefeitura”, conta a mulher.

Ela diz que já cansou de ligar na prefeitura para pedir a limpeza do terreno. “Quando faço a reclamação, eles perguntam se sei quem é o dono do terreno para que possam multar. Aí, quando explico que é da prefeitura, eles alegam que nada pode ser feito”, afirma.

De acordo com Ercy, é possível encontrar qualquer tipo de objeto na área desapropriada. “De casa dá até para ouvir quando despejam alguma coisa lá. O período noturno é o preferido. Tem de tudo que você pode pensar ali. Árvore cortada, lixo de cozinha, caixas de papelão e até móveis velhos”, diz.

A filha de Ercy, Roseane Junqueira, 34 anos, reclama do descaso do município. “Na época em que as casas foram desapropriadas eles falaram que a área viraria uma rua e seria construído um duto para canalizar a água da chuva que se acumulava no local. Hoje, entro em contato com a prefeitura e alegam que não existem planos para o terreno”, afirma.

A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou que a área foi desapropriada através do decreto municipal 6955/94. Reiterou também que atualmente não existe nenhum projeto para abertura de rua ou construção de tubulações no local. Quanto à limpeza, alegou que depende da demanda de serviços verificada pelas equipes da prefeitura.

Segundo o advogado Alan Azevedo Nogueira, um terreno só pode ser desapropriado mediante um projeto de utilização do local. “Não é possível simplesmente desapropriar. É um processo pautado no bem da comunidade. Teoricamente, um projeto teria que ser seguido. Mas inúmeros motivos podem ser alegados para que a obra não seja realizada”, explica.

“À noite, alguma pessoa pode se esconder no escuro e roubar alguém. Já invadiram a minha casa em duas oportunidades. ”, acrescenta Roseane.

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Perigo ao lado

Os problemas da professora Marli Monteiro, 46 anos, são dobrados. Ela mora na quadra 4 da rua Comendador Leite e tem como vizinhos de um lado o terreno que virou “depósito” de lixo, e de outro um galpão abandonado da prefeitura. “Ontem eu e minha irmã tivemos que enterrar um cachorro morto que jogaram no terreno, ao lado da minha casa, e já começava a se decompor”, afirma. “Já o galpão virou um depósito de gatos, cães e pessoas”, completa.

A sujeira do terreno vizinho provocou pânico na família. “Meu sobrinho estava com suspeita de leishmaniose. Hoje (quinta-feira) recebemos os exames e foi comprovado que ele não estava doente. No entanto, ontem (quarta-feira) duas fiscais da prefeitura visitaram a minha casa e afirmaram que existiam mais duas pessoas na região suspeitas de estar com a doença”, diz.

Mas o maior problema se encontra do outro lado. Segundo Marli, o galpão onde já teria funcionado a marcenaria municipal, hoje abriga marginais. Ela teria sofrido uma tentativa de assalto no início da manhã, na semana retrasada. “Um adolescente saiu de lá, me atacou e tentou levar minha bolsa. Eu reagi, gritei bastante e ele fugiu”, conta.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o imóvel foi desativado pela própria administração municipal devido a problemas estruturais que colocavam em risco a segurança dos servidores que lá trabalhavam. A assessoria informa também que é provável que o local sofra reformas e que está sendo realizado um estudo com o objetivo de dar uma nova destinação ao imóvel. No entanto, ainda não existe previsão para que o problema seja solucionado.

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