A Polícia Militar (PM) de Bauru insiste na instalação de câmeras para monitoramento 24 horas nas principais avenidas da cidade. O assunto é antigo, mas voltou à tona depois que, na semana passada, uma ação criminosa de tráfico de drogas foi desmantelada pela PM com auxílio de filmadoras instaladas em pontos considerados críticos pela corporação.
O tenente-coronel Pedro Batista Lamoso, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), argumenta que com as câmeras de monitoramento em tempo real instaladas nas avenidas principais da cidade, a reação da polícia ao crime seria mais eficiente. “Poderíamos deslocar uma viatura para o local rapidamente e pegar o ladrão em flagrante, por exemplo”, explica.
O assunto foi discutido em uma reunião do comando do 4.º BPMI com prefeitos e representantes dos conselhos de segurança dos 19 municípios abrangidos pelo comando. Mas a polícia argumenta que o Estado, sozinho, não tem condições de arcar com as despesas de compra dos equipamentos.
A instalação de câmeras na cidade é tema recorrente desde 2000. Mais recentemente, em março de 2004, o assunto acabou se esvaziando devido à declaração da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) de que não haveria verba suficiente para realizar a operação. O orçamento para instalação era de cerca de R$ 200 mil.
No ano passado, o tema foi retomado pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul. A idéia era de que as avenidas Getúlio Vargas e Duque de Caxias fossem vigiadas por câmeras. Mas a idéia continuou apenas no papel.
Desta vez, Lamoso disse que a Associação das Empresas do Calçadão (AEC) de Bauru ‘sinalizou positivamente’ para a instalação das câmeras. “A Secretaria do Estado de Segurança Pública não teria condições de, sozinha, arcar com as despesas das câmeras. É preciso auxílio da iniciativa privada e a associação está disposta a ajudar”, argumenta Lamoso.
O vice-presidente da AEC, Francisco Franco de Bernardis, disse que há interesse dos comerciantes comprarem câmeras para monitoramento na rua Batista de Carvalho. “Amanhã, vamos conversar com a PM sobre a segurança durante o Natal e esse será um dos assuntos que vamos discutir”, fala Bernardis.
Para ele, o problema não é a compra das câmeras, que custam aproximadamente R$ 2,5 mil cada uma, mas sim o monitoramento. “Não temos condições de deixar quatro funcionários responsáveis pelo monitoramento 24 horas por dia”, explica.
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Big Brother nas ruas
Em tempos de programas de reality show, como o Big Brother, os participantes são vigiados o tempo todo. As câmeras vigias, também ‘alertas’ 24 horas por dia, já não são mais novidade em cidades grandes, como São Paulo e Campinas. Sob o ponto de vista do cidadão perder a privacidade, o tenente-coronel Pedro Batista Lamoso acredita que o bem-estar da comunidade prevalece.
“Não tiro a razão das pessoas que se sentem invadidas na privacidade, mas a diminuição da criminalidade e o sentimento de segurança são mais importantes para a sociedade”, diz.