Tribuna do Leitor

Por que suicídio?


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Estou triste e preocupada com tantas notícias sobre suicídio e tentativas de suicídio ocorridas entre jovens nas últimas semanas. Soube de duas jovens que se suicidaram, uma com 16 e outra com 21 anos de idade, enforcadas. Uma de classe média alta e outra de classe média baixa, talvez. E foram constatadas também quatro tentativas de suicídio, felizmente fracassadas, entre outros jovens na faixa etária entre 20 e trinta anos de idade. Alguns de classe média e outros da média alta. Não vou mencionar aqui nomes e nem localidade para proteger as vítimas e seus familiares, mas são pessoas relativamente próximas e até mesmo conhecidas, o que nos deixa mais assustados.

O que pode levar pessoas ainda na flor da idade, em uma fase em que temos tantos sonhos, tanto fôlego e tantas esperanças, a concluir que não há outra saída a não ser a própria morte? Sabemos que as dificuldades são muitas, os problemas não param de surgir e que a vida é um constante desafio, mas nada disso justifica quando observamos o nosso dia-a-dia e sentimos quantas coisas boas a vida nos proporciona e quantas surpresas boas acontecem e estão sempre para acontecer.

Eu estou escrevendo sobre esse assunto porque ao saber de um e de outro suicídio, comentei: “eu luto tanto pra sobreviver e essas pessoas saudáveis estão querendo acabar com a vida.” Na ocasião, uma tia muito querida sugeriu que eu deveria escrever sobre o tema. Luto a mais de cinco anos contra uma neoplasia (câncer) na medula óssea, denominada miolofibrose idiopática e ainda sou diabética tipo I, o mais grave, há 10 anos. Tomo mais de 10 comprimidos por dia, incluindo quimioterápicos. Pico os dedos cinco vezes por dia para checar a taxa de glicose, tomo cinco injeções de insulina diariamente e ainda faço hemograma toda semana e, periodicamente, punção na medula óssea para controlar a doença.

Não tenho a mesma disposição que tem uma pessoa sadia. Sinto muito cansaço e sempre sinto um pouco de tontura, necessitando constantemente de um pouco de repouso e às vezes até internação. Deixei de dançar, atividade profissional e hobby que sempre adorei fazer na vida. Apesar de tudo, sou franca em dizer e quem me conhece sabe que eu adoro viver e, se Deus quiser, quero levar a minha luta por muitos e muitos anos. Tenho dois filhos ainda crianças que amo de paixão, um marido que me considerava bonita mesmo quando estava careca e inchada e uma família que eu adoro, sem falar dos amigos que fazem toda diferença em nossa vida.

Não estou aqui querendo me passar por heroína, ou coisa parecida. Eu só estou tentando ajudar um pouco com a minha experiência. Também tenho meus momentos difíceis e não são poucos. No ano retrasado, quase precisei transplantar a medula (um procedimento muito arriscado pro meu caso), mas graças a Deus ainda não precisei fazê-lo e vou vivendo. Nas minhas andanças pelo Hospital Amaral Carvalho de Jaú e pelo Centro de Transplante de Medula Óssea de Curitiba, PR, sempre presencio casos piores que os meus e sempre aprendo com o entusiasmo que essas pessoas têm em lutar pela vida.

Como é bom acordar pela manhã e dizer: meu Deus, muito obrigada por mais um dia. Mais um dia que vou ver o sol ou a chuva; mais um dia que vou conviver com meus filhos e minha família, mais um dia que vou ajudar meu marido a acertar as contas da casa, mais um dia que vou passear e encontrar os amigos; mais um dia que vou chorar por algum problema ou vou dar boas risadas; mais um dia que vou brindar para celebrar a vida. A vida é um dom de Deus e deve ser celebrada sempre. E pensem bem: “por mais que vivamos 80 ou 90 anos, não parece pouco diante da grandeza da vida? Por que abreviar ainda mais?”

Renata Luiza Trecenti Cristóvão Matile - jornalista e professora de dança - Lençóis Paulista

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