Dedicando-se às letras há pouco menos de oito meses, o aposentado Ary Bueno acaba de lançar seu primeiro livro. “Anjo de Olhos Azuis”, produzido de forma independente, é uma coletânea de poesias, contos e crônicas criadas desde que o escritor de 71 anos encontrou nas palavras uma maneira de expressar sua fé, aliviar angústias e celebrar a vida.
Bueno conta que a idéia da coletânea veio de amigos, que constantemente pediam para ele reunir os textos que postava na Internet ou enviava a seus leitores habituais. “Recebo e-mails de pessoas do País todo, do Canadá, de Portugal”, enumera. Bacharel em direito e especializado na área de saúde pública, ele está aposentado há dez anos.
“Comecei a escrever observando o cotidiano. Queria escrever sobre as coisas que atingem o lado emocional das pessoas”, comenta. Para iniciar a empreitada, ele releu obras dos escritores que aponta como suas maiores influências, os brasileiros Castro Alves e Olavo Bilac. “Não fiz muitos estudos de métrica ou linguagem porque quis usar o coração. Por isso minha meta era buscar o sentimento humano para escrever”, aponta Bueno.
O anjo de olhos azuis que dá nome à coletânea é presença reincidente em diversos textos. “É uma presença oculta – ou nem tão oculta. As pessoas vão conseguir identificar quando falo desse anjo imaginário. É uma figura bela, uma fantasia do amor”, analisa.
Outro tema recorrente nos textos é a fé, mas o escritor não define o livro como religioso. “Eu sou religioso e minha fé acaba por influenciar no que escrevo, mas não era minha intenção fazer textos e poemas religiosos. A fé está em alguns dos textos, sem dúvida”, aponta.
Como autor independente, Bueno ainda busca apoio e locais para expor seu livro. “A colocação no mercado para um escritor que não tem apoio de editora é muito difícil. Mas estou arriscando porque as pessoas me pediram para reunir meus textos”.
Contato com o autor pelo e-mail ary.bueno2@terra.com.br ou pelo telefone (14) 3277-3813.
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‘O Anjo sem asas’
Como em um acaso divino, surgiu em minha vida
Um formoso anjo por quem assim que vi me apaixonei
Era meu sonho, meu encanto, doce figura querida
Sem ressalva, e sem temor a ele o coração entreguei
Vivi feliz este sonho de encantamento e felicidade
Era ele todo meu mundo, toda minha realidade
Porém com muita tristeza um dia... tão grande maldade
Descobri que seu amor era mentira, era falsidade
Este amor, ao meu amor não entendeu
Fingi me iludi, um dia acordei vi que ele nunca foi meu
Nunca fui correspondida na verdade... este anjo me enganava
Então senti a dor maior do mundo, ao saber que ele não me amava
E assim com o coração doendo, como se estivesse cheio de brasas
Eu Sonhadora vi que meu anjo, era de barro, era um simples mortal
Este anjo hoje cheia de mágoa descobri... ele não tinha asas
Veio ao mundo apenas para me fazer sofrer, e causar-me um grande mal.
Ary Bueno