Bairros

Jd. Redentor tem 3 casos de hepatite

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Menos de um mês depois de serem registrados 13 casos numa escola infantil da Pousada da Esperança 1, a preocupação com a hepatite retorna em Bauru. Pelo menos três crianças do Jardim Redentor foram infectadas. Os colégios freqüentados pelos doentes descartam a hipótese de serem focos transmissores. Uma mãe não se conforma com a demora de 45 dias para receber o resultado de um exame que indicará o tipo do vírus (A, B ou C) que acometeu seu filho. Ela teme que ele perca o ano letivo em decorrência da longa espera.

O garoto Matheus, de apenas 8 anos, é um dos casos confirmados no bairro. Segundo sua mãe, Gabriela dos Santos Baldo, o diagnóstico foi rápido. No entanto, a identificação do vírus, não. “O levei ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). No dia seguinte o exame acusou hepatite. Fui orientada a me dirigir ao posto de saúde do Redentor para fazer o acompanhamento médico e realizar um teste para descobrir o tipo do vírus, isso há 45 dias e até hoje não saiu o resultado”, afirma.

Gabriela teme prejuízos escolares para o filho. “Aparentemente, ele está bem. O médico não dá alta porque alega que precisa do resultado do exame. A escola não o aceita porque não tem a confirmação médica de que ele pode voltar às aulas. Enquanto isso, vai à escola em horários alternativos para que faça as provas sozinho, numa sala vazia. E se ele perder o ano?”, indaga.

A outra filha de Gabriela, Isabela, de 5 anos, também está com hepatite. A confirmação veio anteontem, após exame preliminar também realizado no PAI. “Agora vou ter que passar por todo o processo novamente. Serão mais de 45 dias espera”, desabafa.

Segundo Eliana Pinheiro, vice-diretora da escola estadual Ana Rosa Zuiker D’anunziata, onde estuda Matheus, dois casos da doença foram registrados pelo colégio. A vice-diretora descarta a hipótese de que a escola seja um foco transmissor. De acordo com ela, em ambos os casos, a doença foi diagnosticada pela família. “Assim que soubemos, tomamos todas as medidas necessárias”, diz Elaine.

Já na escola municipal de ensino fundamental (Emei) Gasparzinho, onde estuda Isabela, os funcionários afirmam desconhecer casos de alunos com hepatite. “Esse é o tipo de coisa que, com certeza, saberíamos, pois coloca em risco outras crianças. Até hoje nenhum atestado nos foi encaminhado”, afirma uma professora, que preferiu não revelar seu nome.

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Demora na identificação

Para o secretário municipal da Saúde, Mário Ramos, a identificação do tipo de vírus de hepatite não é determinante para a recuperação mais rápida do paciente. “A partir do momento em que foi diagnosticada a doença, o importante é desencadear, imediatamente, todas as medidas e prevenção, e isso está sendo feito pela Vigilância Epidemiológica. Se as medidas forem tomadas, não existe nenhum risco”, afirma.

O secretário explica que é quase impossível crianças serem contaminadas pelos vírus dos tipos B ou C. “Com certeza os doentes são do tipo A. A transmissão nos outros casos é mais difícil. Crianças menores de 10 anos normalmente não usam drogas injetáveis e muito menos têm vida sexual ativa. O maior risco seria ter passado por uma transfusão recente de sangue”, diz.

O exame para a identificação do tipo do vírus é realizado em Bauru, por uma equipe do Instituto Adolfo Lutz, segundo Ramos. Para ele, a demora para a divulgação dos resultados está relacionada a um déficit de na rede laboratorial estadual. “O exame é feito com kits cedidos pela Secretaria Estadual de Saúde, que geralmente demoram para chegar à cidade”, revela.

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