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Em nova ida à África, presidente tem encontro com ditador líbio na Nigéria

Folhapress
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Nigéria - Um ano e sete meses após o ministro Luiz Fernando Furlan ter classificado de “blablablás” as negociações com africanos em Abuja, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta à capital da Nigéria para um evento parcialmente esvaziado, no qual não deverá ser tomada nenhuma medida significativa.

O petista chega hoje à Nigéria para o 1.º encontro África-América do Sul, acompanhado de apenas um ministro, Celso Amorim (Relações Exteriores). É a sexta viagem de Lula ao continente em menos de quatro anos. Hoje, ele terá encontros com o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, e com os líderes de Senegal, Togo, Argélia e Gana. Em seguida, inaugura o setor consular da Embaixada do Brasil na Nigéria.

À noite, participa de um banquete. Depois de hoje, acontecerá o encontro propriamente dito. Haverá uma sessão de abertura e duas “plenárias”, que devem tomar até o meio da tarde. Em seguida, Lula volta ao Brasil. Mas ontem a desorganização era tanta que, dois dias antes do início da reunião, ninguém sabia onde iriam se encontrar os mais de 25 líderes.

A informação era que poderia ser tanto numa área do palácio presidencial quanto no salão de eventos de um luxuoso hotel na cidade. Apenas seis líderes sul-americanos devem ir ao evento. Estrelas como Hugo Chávez (Venezuela), Néstor Kirchner (Argentina) e Evo Morales (Bolívia) estarão ausentes.

A chilena Michelle Bachelet, que enfrenta uma grave crise em seu país, deve comparecer. Além dela e de Lula, devem ir chefes de governo de Equador, Suriname, Guiana e Paraguai. Da África, devem comparecer cerca de 20 dos mais de 50 presidentes. Apesar de o encontro estar um tanto esvaziado, Lula tinha a obrigação de comparecer porque a idéia partiu dele e do presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo - surgiu na viagem de Lula à Nigéria, em 2005.

Parceria

As exportações do Brasil para a Nigéria praticamente triplicaram desde 2003. Saltaram de US$ 0,5 bilhão para US$ 1 bilhão em 2005, e devem fechar 2006 perto de US$ 1,5 bilhão. Mas tem um enorme déficit comercial com a Nigéria em razão do petróleo que importa: “O país tem um petróleo muito leve, que se ajusta muito à nossa estrutura de refino no Brasil”, disse o embaixador brasileiro, Pedro Luiz Rodrigues.

Hoje o Brasil tem acordos conjuntos em agricultura e álcool com a Nigéria - o país já definiu que adicionará álcool à gasolina. Na embaixada, haverá empresários brasileiros que venderam cerca de 150 ônibus para o sistema de Abuja e esperam chegar a mil. Dos encontros bilaterais que Lula terá hoje, o que mais chama a atenção é o com o ditador líbio Gaddafi.

A controversa amizade já foi defendida pelo petista quando os dois se encontraram em Trípoli no final de 2003. “Jamais esqueci os amigos que eram meus amigos quando eu ainda não era presidente”, afirmou o petista.

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