Chegamos, mais uma vez, a dezembro. Estamos seguindo em frente, sempre, em movimento. Cada um tem o seu caminho, mas, estreito é o caminho que leva à Porta da Paz. Se o caminho é estreito, o equilíbrio é fundamental. Então, o que é preciso fazer para nos equilibrarmos neste caminho?
Praticar a fraternidade.
A fraternidade é uma tendência que emerge de um coração corretamente afinado. A fraternidade traz uma mensagem de simpatia, de harmonia. Mas, a pessoa que não está em harmonia consigo mesma, não pode estar em harmonia com outra pessoa.
A harmonia se consegue deixando as coisas fluírem naturalmente, fazendo prevalecer a igualdade, a liberdade de expressão, a transparência, a sinceridade, o amor fraternal e permitindo a cada um, de acordo com a sua consciência, ponderar sobre a conveniência ou não disto ou daquilo.
É com este embate salutar de forças que surge a resultante apontando o melhor caminho a ser seguido e o caminho que surge através deste processo é harmonioso.
Para se conseguir a harmonia é preciso olhar para tudo a partir de dois pontos de vista: a partir do nosso próprio ponto de vista e a partir do ponto de vista da outra pessoa.
Quando qualquer um de nós estiver decepcionado ou aborrecido com outro ou com uma situação, é preciso lembrar que não se está reagindo à pessoa ou à situação, mas sim, aos nossos sentimentos pela pessoa ou situação e estes sentimentos são nossos e o que se está sentido é culpa nossa e de mais ninguém.
Quando nós reconhecermos e compreendermos isso completamente, estaremos prontos para assumir a responsabilidade pelo que sentimos e aptos a mudarmos o que sentimos.
A moderação não exclui a defesa de nossas convicções, mas, ela é fator essencial para que possamos captar o que há de bom até mesmo naquelas opiniões mais divergentes das nossas. A moderação é a linha capaz de costurar múltiplas tendências, identificando pontos consensuais e percebendo a importância do convívio nesta teia de relações.
Quando se tenta mudar a alguma coisa que não se gosta é preciso observar a tendência natural. Se uma fazenda produz trigo que ela seja uma fazenda de trigo; nas fazendas onde cresce o arroz, é melhor deixar o arroz crescer, onde houver bosques, que haja bosques, onde houver jardins, que haja jardins – todos são necessários. Não se pode cozinhar tudo na mesma panela. Não se pode esticar os dedos da mão de modo a fazer com que todos fiquem do mesmo tamanho, pois, o tamanho natural é o tamanho adequado para eles.
Não queremos que todas as pessoas do mundo tenham a mesma religião, a mesma educação ou tenham os mesmos costumes e maneiras; nem pensamos que todas as classes devam se tornar uma só classe.
Queremos que todas as classes possam se mesclar umas com as outras, que todas as nações possam ter suas peculiaridades, as suas individualidades, mas, ao mesmo tempo, expressar boa vontade e sentimentos amistosos umas com relação às outras; que possam ter os seus próprios costumes e as suas próprias idéias, mas ao mesmo tempo entender umas às outras.
É preciso aceitar essas diferenças para que possamos com mais facilidade tolerar quem está abaixo para que sejamos tolerados pelos que estão acima. Estender as mãos para os que se encontram logo atrás, da mesma forma como tentamos segurar nas mãos daqueles que vão a nossa frente.
Se não tolerarmos o outro, isto significa que o erro nos pertence, pois não aceitamos aquele que nos cerca. Esquecemos que as criaturas possuem os seus próprios valores, esquecemos que as criaturas possuem, também, diferentes desejos ou aspirações.
A maior parte das pessoas considera o seu modo de pensar como regra a ser seguida discriminando e abolindo tudo o que não se harmoniza com ela. Julgar a mentalidade alheia é a primeira e principal causa de discórdia.
Para uma boa convivência é preciso entender e eliminar as perturbações que nascem da não aceitação das coisas e dos fatos. Para ter Luz e brilhar é preciso entender e eliminar a dor que nasce da diferença que existe entre o que somos e o que gostaríamos de ser.
O autor, Paulo Cezar Razuk, é professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia Unesp-Bauru