Economia & Negócios

Micro e pequenas empresas crescem 30% em quatro anos

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

O número de micro e pequenas empresas cresceu 30,7% no Estado de São Paulo entre 2000 e 2004, conforme pesquisa divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP). O índice pode ser estendido para a região de Bauru, segundo o gerente-geral do órgão na cidade, Milton Debiase. Fatores econômicos e sociais como desemprego, queda nos rendimentos, diminuição de contratações com carteira assinada e o conseqüente aumento da informalidade impulsionaram os trabalhadores a se “aventurar” com negócios próprios que, por falta de preparo do empreendedor, muitas vezes fecham antes mesmo de completar um ano.

A pesquisa do Sebrae mostra que 99% do total de 924 mil novos estabelecimentos abertos no País neste período são de pequeno porte - ou seja, 914.760. No entanto, esse índice poderia ser maior se houvesse um levantamento indicativo da quantidade de empresas que atuam sem registro.

“Com toda certeza, o número de empreendimentos informais é ainda maior do que aqueles que atuam na formalidade. Isso é um reflexo da situação atual do País. Abrir algo é a primeira solução que o trabalhador encontra quando está desempregado”, explica o gerente regional do Sebrae, Milton Debiase.

A conjuntura econômica dos últimos anos seria a explicação para o acentuado crescimento das micro e pequenas empresas e do setor informal de trabalho. “O mercado brasileiro é difícil. O PIB (Produto Interno Bruto) opera com níveis escassos há anos. Isso indica que a atividade econômica está baixa, o que acarreta fechamento de empresas. Aliando a isso o avanço da tecnologia, que suprime postos de trabalho, e a queda no poder aquisitivo da classe média, temos como conseqüência uma classe desempregada maior, que enxerga como única saída vender seu serviço. E a primeira opção é a informalidade”, conclui.

Segundo aponta Debiase, raramente indústrias são abertas em nossa cidade, ao passo que o comércio está estabilizado há alguns anos. Já a área de serviços está em pleno desenvolvimento. “As pessoas recorrem a essa área porque precisam. E o empreendedor está cada vez mais agregando valor ao atendimento ao cliente”, afirma. “E é a prestação de serviço nos mais variados ramos, como informática, educação, alimentação, entre outros”, completa.

Segundo o gerente regional do Sebrae, o número de pessoas que procuram o órgão buscando informações sobre a abertura de empresas cresceu vertiginosamente nos últimos anos. “A procura foi tanta, que precisamos abrir cinco postos de atendimento em cinco cidades da região”, revela. “Mas quando as pessoas tomam conhecimento da complexidade, muitas desistem”, completa.

Mortalidade alta

O número de “mortes” no ramo empresarial vem diminuindo, segundo Debiase. No entanto, ele ainda pode ser considerado elevado. Em média, 29% das empresas fecham as portas ainda no primeiro ano de atividades. As que passam pelos primeiros 365 dias, precisam pular a crise dos quatro anos. Enquanto em 2002, 71% dos novos negócios fechavam até o quarto ano no mercado, atualmente o índice atinge 56% dos empreendimentos.

O maior culpado pelo insucesso é o próprio empreendedor, que não pesquisa antes de entrar no mercado. “A maioria quebra por causa da grande concorrência, ao escolher um ramo saturado. Para dar certo, é preciso conhecer a área, estar disposto a se tornar empreendedor, se informar, desenvolver habilidades administrativas, analisar a viabilidade financeira e pesquisar profundamente o mercado e o público”, indica o gerente do Sebrae.

Interessados em consultar o Sebrae podem ligar para o teleatendimento, 0800 72 80 202, ou acessar o site www.sebraesp.com.br.

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Experiências

Há três anos, o salgadeiro Maurício de Farias Chaves, 29 anos, pediu demissão da empresa onde trabalhava e abriu um negócio em sociedade com seus dois irmãos. “Como todos trabalhávamos no mesmo ramo, resolvemos nos juntar. Compramos os equipamentos necessários e começamos”, conta.

O negócio funcionou sem registro durante um ano e sucumbiu. “Estava funcionando bem. Dava para tirar um dinheiro maior do que trabalhando como assalariado. Mas um dos meus irmãos administrava o dinheiro e gastava demais. Tivemos que fechar”, relembra. Desde então, Maurício nunca mais conversou com seu irmão.

Hoje ele trabalha como funcionário, na mesma empresa onde pediu demissão para poder se dedicar a um negócio próprio.

Sidinei Gobbo Júnior abriu uma empresa no setor gráfico há três anos e está indo bem. O empresário de 28 anos dedicou 14 anos de trabalho no ramo e, com as economias, resolveu entrar no mercado.

“O empresário tem que batalhar muito e nunca se aventurar. Tem que conhecer muito bem a área onde vai atuar e a demanda para o tipo de serviço que vai prestar. Para ganhar mercado é preciso ter ousadia, oferecer diferenciais, manter um ótimo padrão de qualidade e não esperar o cliente bater na porta.”

Ele nunca pensou em fechar as portas, mas observa que o mercado vem esfriando. “Percebo isso porque alguns clientes que investiam em produtos top de linha, hoje optam por serviços de menor custo, isso pela atual conjuntura do País. Cabe a mim buscar informação, presente em grande quantidade na Internet e em organizações especializadas”, ressalta.

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