Quito - O presidente eleito do Equador, Rafael Correa, afirmou que desenvolverá seu próprio modelo político e que “nem George W. Bush nem Hugo Chávez mandarão no país, só os equatorianos”. Em uma entrevista ao jornal espanhol “El País”, o líder esquerdista fixou suas prioridades: primeiro a reforma política e, depois, a reativação econômica.
Correa também disse que reduzirá o salário do presidente e que convocará uma consulta popular sobre a realização de uma Assembléia Constituinte. Apesar de querer se distanciar tanto do presidente dos EUA como do da Venezuela, Rafael Correa afirmou que Chávez é seu amigo e que tem muito orgulho disso. “Com gente de mãos limpas, de mentes lúcidas e de corações patriotas, como Hugo Chávez e outros líderes da região, o que nos une sempre será mais forte que o que nos separa”, disse.
O novo presidente do Equador, que tomará posse em 15 de janeiro, ressaltou que a reforma política é prioritária. O político assegurou que não haverá “medidas de ajuste severas” no novo governo.
Petróleo
Rafael Correa disse que a partir de seu primeiro dia de mandato passará a refinar o petróleo que o país produz na Venezuela. Quinto maior produtor da América Latina, com 530 mil barris de petróleo por dia, o Equador não é auto-suficiente na refinação, tendo de importar seus derivados. A nova estratégia poria fim à figura do intermediário.
“No dia 16 de janeiro mandamos petróleo para refinar na Venezuela. Já chega de jogar dinheiro pela janela exportando petróleo para importar derivados”, disse Correa ao jornal equatoriano “El Comercio”. “Não podemos permitir que, de cada cinco barris, quatro sejam levados e nos deixem um. E, com os excedentes do petróleo, começaremos a investir em refinarias, transporte, armazenamento e geração hidroelétrica”, acrescentou. “Agora acabou a intermediação do petróleo. A Petroecuador (estatal equatoriana) é a única empresa de produção de petróleo, que eu conheça, que não vende ao consumidor final, que é a refinaria, mas ao intermediário. Isso impede que se faça o óbvio, que é refinar em países amigos como a Venezuela.”
Outro “país amigo” citado recentemente foi a China. O presidente voltou a defender ainda uma revisão nos contratos com as petrolíferas, avaliando que a reforma feita pelo presidente Alfredo Palacio, que prevê que as empresas repassem 50% da renda petrolífera ao Estado, não é suficiente. A Petrobras entrou no Equador em 2002 e hoje é a terceira maior produtora de petróleo do país, atrás da Petroecuador e da espanhola Repsol.