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Brasília termina com prêmio polêmico

Por Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O anúncio de “Baixio das Bestas”, do pernambucano Cláudio Assis, como melhor filme do 39.º Festival de Brasília teve efeito-bomba sobre os 1,5 mil espectadores que assistiam à premiação no Teatro Nacional, anteontem. Enquanto uma parcela vaiava, dava as costas ao palco, em direção à saída, gritando frases como “júri safado”, a outra metade aplaudia e assoviava vigorosamente, em apoio à decisão. No palco com sua equipe, Assis limitou-se a dizer: “Obrigado pela educação. Obrigado, Brasília”.

A crítica também elegeu como melhor filme “Baixio das Bestas”, que acumulou os troféus de melhor atriz (Mariah Teixeira), atriz coadjuvante (Dira Paes), ator coadjuvante (Irandhir Santos) e trilha sonora (Pupillo). A cisão entre os que amam e os que odeiam “Baixio das Bestas” ficou clara desde que o filme foi apresentado em competição, no domingo, para uma platéia ansiosa por este segundo longa do cineasta.

Com seu primeiro filme, “Amarelo Manga”, Assis foi unanimidade no festival de 2002 - melhor filme segundo o júri oficial, a crítica e o público. Desta vez, o diretor cogitava uma reação negativa da platéia. “É um filme difícil? É. Desde o início quis fazer assim. Sou de Caruaru. Sei fazer boneco de barro. Não sei pintar porcelana, não. Que as concessões façam os outros, que já as estão fazendo”, disse, após a vaia.

O filme gira em torno da exploração sexual e da violência contra mulheres num povoado do sertão onde o plantio da cana é a principal atividade econômica e o maracatu, a grande expressão cultural. O diretor diz que a vaia “é boa para o filme”. “É para reagir mesmo. É para pensar. Quem vaia são os que mais vão pensar, porque têm culpa, os coitados.” Violência como fetiche

No debate sobre “Baixio das Bestas”, promovido pelo festival, Assis foi acusado de “fetichizar a violência” e, portanto, de ter sido “irresponsável”. “Baixio das Bestas” só deve estrear em maio de 2007. Antes disso, é possível que o filme participe de um festival internacional de grande prestígio.

Os demais premiados foram “Batismo de Sangue” - melhor diretor (Helvécio Ratton) e fotografia (Lauro Escorel) -, “O Engenho de Zé Lins”, de Vladimir Carvalho - Prêmio Especial do Júri e melhor montagem (Carvalho e Renato Martins) - e “Querô”, de Carlos Cortez -melhor ator (Maxwell Nascimento), roteiro (Cortez, Braúlio Mantovani e Luiz Bolognesi), direção de arte (Fred Pinto) e som (Louis Robin).

Pelo segundo ano consecutivo o público elegeu um documentário como melhor filme. “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”, de Silvio Tendler, foi escolhido pelo voto popular.

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