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Ética das pequenas coisas


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É interessante verificar o quanto se fala em Ética nos dias atuais. Conforme já afirmei em um artigo anterior, neste mesmo espaço, trata-se da palavra da moda.

Pois bem! Pensando no assunto, que tal verificar a questão de como agimos diariamente e se este comportamento é ético mesmo? Analise as seguintes situações:

1) Quando você avalia que seu subordinado realizou alguma tarefa que não foi satisfatória, qual a sua atitude? Elevar o tom de voz, agindo de forma grosseira ou repreendê-lo educadamente e em particular?

2) Se você é fumante, qual o seu comportamento em uma fila? Você fuma normalmente ou espera até sair da aglomeração pública?

3) Se você é um aficionado por música e gosta de curti-la em tons elevados de volume, qual o seu comportamento em casa? Por estar em sua casa tem o direito de ouvir música no volume que quiser ou aprecia o novo cd adquirido respeitando que ninguém é obrigado a ouvi-lo e nem gostar do mesmo estilo que você?

4) Imagine outra fila, imensa, e você enxerga, lá na frente, um amigo, o que você faz? Chega próximo a amigo como quem não quer nada e por ali fica ou espera a sua vez, calmamente, no final da fila?

São apenas alguns exemplos para demonstrar que os pequenos atos da nossa vida cotidiana também refletem no nosso comportamento ético e não apenas os grandes escândalos, tais como dossiês políticos, distribuição de verbas às vésperas de eleições, mentiras e chacotas!

Caso tenha respondido, nas cinco situações acima apresentadas, a primeira opção transcrita após as perguntas, infelizmente teremos que concordar com os dizeres de Nicolau Maquiavel, filósofo que revolucionou o pensamento político: “dos homens podemos em geral dizer o seguinte – que eles são ingratos, volúveis, simuladores e dissimuladores, inimigos do perigo e ávidos de ganho”. E esse pensamento vai de encontro com um jargão muito bem conhecido pela população brasileira, a famosa e vergonhosa “Lei de Gérson”, que implica levar vantagem em tudo.

Portanto, se queremos uma política mais séria, um sistema de saúde mais eficiente, um educação de qualidade, vamos começar pelas pequenas coisas... E como descreve o teólogo Reinhold Niebuhr, que tenhamos serenidade para aceitar o que não podemos mudar, coragem para mudar o que podemos e sabedoria para conhecer a diferença!

Pense nisso!

O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde - e-mail: ricardohenrique@usp.br

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