Polícia

Homem forja seqüestro e se amarra

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Uma história mirabolante. O aposentado por invalidez Jairo Cordeiro Roeda, de 33 anos, foi encontrado pela Polícia Militar de Bauru, às 18h de ontem, com as mãos amarradas, próximo à Companhia Energética de São Paulo (CESP), às margens da rodovia Marechal Rondon. A princípio, tratava-se de um seqüestro com requintes de crueldade e mandantes. Ao final, tratava-se apenas de uma invenção para tentar chamar a atenção da família.

À reportagem do JC, antes ser examinado no Pronto-Socorro Central (PSC), Jairo descreveu todos os momentos em posse dos supostos seqüestradores. A abordagem teria acontecido às 11h de anteontem, em Marília, onde ele mora. “Fui receber um dinheiro, eles me pegaram, colocaram no carro e ficaram andando comigo até agora há pouco”, disse com propriedade.

Jairo disse ter ficado 31 horas sem comer e beber na posse dos marginais que, estranhamente, eram conhecidos dele. “Foram dois homens armados, inclusive um deles eu já conhecia. Me maltrataram muito. Fui espancado, apagaram cigarro no meu peito, passei fome e sede. Quando o policial chegou, tomei uma garrafa de água inteira”, desenvolveu o assunto.

Ele sabia até quem eram os mandantes do crime e o motivo. “O carro era de um traficante que saiu da prisão há dois meses, lá em Marília. Eu devia um dinheiro para ele de uns aparelhos que comprei numa loja. Já paguei, mas mesmo assim acho que ele quis se vingar”, disse.

Em frente do PSC, ele parecia realmente estar fraco. Cabisbaixo, Jairo cambaleava, sempre mantendo a cabeça baixa. Ele foi examinado e, em poucos minutos, liberado pelos médicos, já que não existiam sinais de ferimentos. A próxima e última parada foi no Plantão Policial de Bauru.

Segundo o delegado que atendeu o caso, Carlos Creppe Júnior, Jairo tentou manter a história mirabolante por mais algum tempo. “A história era muito inconsistente. Além disso, ele não tinha nenhuma marca ou ferimento constatado”, afirmou o delegado.

Um telefonema para a esposa de Jairo, em Marília, solucionou o caso. “Ela explicou que, após uma briga, ele saiu de casa dizendo que iria se matar e hoje (ontem) à tarde ele teria ligado falando que havia sido seqüestrado e espancado”, disse Creppe. Depois disso, ele finalmente confessou que inventou toda a história para chamar a atenção da mulher e da família.

De vítima, Jairo virou culpado. Ele foi autuado por falsa comunicação de crime e assinou um termo de compromisso de que irá comparecer ao Fórum para responder à sua infração. A pena poderá variar de uma simples multa até seis meses de detenção. Ele já responde a um processo por denunciação caluniosa em Marília.

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