Ao lado de Presidente Prudente e Franca, Bauru é uma das cidades com mais erosões em área urbana do Estado de São Paulo. Foi o que constatou o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) – órgão ligado ao governo do Estado - Gerson Salviano de Almeida Filho. Há seis anos, ele contabilizou as erosões existentes na cidade: eram 30. Agora, são 20.
Mesmo assim, Bauru ainda figura como uma das cidades com mais erosões no Estado. O novo número foi levantado por uma funcionária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Usando outros métodos, ela enumerou 20 erosões grandes também conhecidas por voçorocas e o total de 55 áreas com processos erosivos no perímetro urbano de Bauru. O levantamento é usado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
O terreno arenoso, caraterístico da cidade, aliado ao aumento expressivo de loteamentos de moradias desde a década de 60 são os principais causadores de erosões. “O solo arenoso é propenso a ter buracos quando recebe grande quantidade de água. Mas os loteamentos que não apresentam sistema adequado de drenagem de água também são problemas”, afirma o pesquisador Almeida Filho.
Ele explica que isso ocorre porque os loteadores, no passado, não se preocupavam com o escoamento da água. Eles simplesmente ‘limpavam’ o terreno retirando toda a vegetação e, com isso, a enxurrada descia levando terra até o leito dos rios. Resultado: assoreamento.
O pesquisador lembra-se de um caso conhecido em Bauru, no córrego Água Limpa. “A erosão chegou a ter 30 metros de profundidade e 50 de largura. Uma grande quantidade de terra, 320 mil m3, foram depositados no córrego”, lembra-se. Para desassorear totalmente o córrego e retirar a terra excedente seriam necessários 60 mil caminhões.
Alto custo
A Semma enfrenta problemas para combater as erosões da cidade, mas o principal deles é o custo alto das obras. “Na erosão do Parque Roosevelt seriam necessários R$ 1 milhão apenas para obras de drenagem da água das chuvas”, exemplifica a diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais, Ivy Wiens.
Por isso, a Semma pediu ajuda ao IPT, no início do semestre, para usar o conhecimento técnico do instituto para soluções viáveis para combater o problema. Os método antigo, de jogar entulho dentro das erosões, foi praticamente abandonado em locais onde a erosão fica próxima do leito de um rio ou córrego. “As chances da água passar pelos entulhos e chegar ao leito do rio, contaminando-o, são grandes”, avalia Wiens.
A alternativa para combater as erosões de maneira efetiva e evitar que aumentem indiscriminadamente é realizar obras de galerias pluviais, construir guias e sarjetas e plantar mudas em áreas de declive.
Entre o ano passado e este ano, a prefeitura realizou obras para combater erosão em dois trechos do Jardim Jussara e no Núcleo Bauru 26. A prevenção, na opinião da diretora do departamento da Semma, é o planejamento. “O Plano Diretor prevê que a cidade tenha bacias de contenção de água, também conhecidas como piscinões. Eles poderão impedir que a água faça mais erosões e leve terra para leito de rios e córregos”, explica.
Porém, o piscinão é uma obra cara e a prefeitura não tem previsão de quando vai fazê-la para conter a erosão do Jardim Jussara, por exemplo. Mas para quem mora perto de uma erosão, a ação deveria ser imediata.
“A gente tem medo porque a erosão está aumentando. Quando vim morar aqui, não tinha nada. Mas depois que fizeram o núcleo aqui perto, surgiu um buraco que só aumenta na cabeceira do córrego Água do Sobrado”, afirma Carlos Eduardo de Souza, que mora no Jardim Jussara.