“Uma idéia na cabeça e uma câmera nas mãos”. A frase tão conhecida de Glauber Rocha parece ter encontrado o seu tempo. Com o fácil acesso às ferramentas, a produção de vídeos caseiros se torna cada vez mais viável. O problema principal agora é como fazer. Para discutir isso e os novos rumos da atividade, Bauru receberá de hoje a domingo o 1.º Fórum Estadual de Cineclubismo e Audiovisual Comunitário.
Voltado a cineclubes, entidades que trabalham com o audiovisual, produtores independentes e profissionais da área, o fórum trará debates, palestras e exibições de filmes. No foco das discussões, estarão os temas da produção e circulação de vídeos e a influência das novas tecnologias digitais para o cinema.
“Está cada vez mais fácil fazer um filme. Mas é preciso compartilhar o conhecimento de como fazer para que as produções tenham mais qualidade”, afirma Eduardo Paes, vice-presidente do Centro Cineclubista de São Paulo, entidade responsável pela realização do fórum em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Bauru (SMC).
Uma prova de que a produção cinematográfica está em ritmo acelerado é o número de curtas metragens inscritos para o fórum. De acordo com o presidente do Cineclube Aldire Pereira Guedes, Silvio Vieira, foram cerca de 50 inscrições vindas de todo o Estado.
“Vimos que existe uma grande produção independente, principalmente universitária. Para a exibição no fórum, tivemos que limitar a participação de vídeos de até dez minutos, o que deixou muitos de fora”, diz Vieira. Os curtas serão exibidos gratuitamente hoje e amanhã, às 20h15, na Praça Rui Barbosa.
A abertura oficial do evento será nesta noite no Alameda Quality Center durante a estréia do longa “Cinema, Aspirinas e Urubus”. A programação será encerrada no domingo com a elaboração de um documento com todas as propostas. “A idéia é encaminhar todas as idéias levantadas ao Poder Público e aos meios de comunicação”, afirma Paes.
De acordo com a SMC, além das cidades de São Paulo e do Interior do Estado, representantes de dez Estados já confirmaram presença no encontro, totalizando 60 inscrições. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Escola Florestan Fernandes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também participarão do evento. Interessados ainda podem se inscrever pelo site: www.cineclubebr.com.br
O 1.º Fórum Estadual de Cineclubismo e Audiovisual Comunitário tem o apoio do Ministério da Cultura (MinC), Secretaria de Estado da Cultura, Alameda Quality Center e MGL Eventos.
Realidade bauruense
O movimento cineclubista em Bauru acompanhou a ascensão e o declínio observados em outra regiões do País. Forte ainda na década de 80, o movimento foi se enferrujando por conta das transições políticas e tecnológicas. Na era do DVD e da popularização da tecnologia, a máquina parece voltar a engrenar com a criação do Cineclube Aldire Pereira Guedes, em 2005.
Faltando ainda muita graxa para obter o selo máximo de qualidade, o cineclube emperra por falta de recursos. Com uma equipe de cinco pessoas – todos voluntários –, a entidade depende da boa vontade da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) para a realização da maioria das atividades.
“O espaço e o aparelho que usamos para exibições semanais de filmes são cedidos pela Secretaria”, afirma o presidente da instituição, Silvio Viera. Por conta de problemas no aparelho, as sessões - antes realizadas no Automóvel Club - foram transferidas para os Correios e estão atualmente interrompidas. As exibições devem ser retomadas em 2007.
Para o ano que vem, o presidente também almeja fechar parcerias com outros cineclubes do País, além de buscar apoio em entidades públicas e privadas. Nesse sentido, os membros encaminharam um projeto ao Ministério da Cultura (MinC). Se aprovado, a entidade será favorecida com DVD, datashow, caixa de som, amplificador e microfone.
Ainda em 2007, o cineclube deve iniciar o projeto aprovado em julho deste ano pelo Programa Municipal de Estímulo à Cultura. O contrato ainda não foi assinado, o que deve ocorrer no início do ano. “Assim que recebermos a primeira parcela, vamos iniciar o trabalho, que consiste em dar cursos para formação de produção audiovisual nas bibliotecas ramais da cidade”, diz Vieira.