Caracas - Ao ouvir o endereço de destino, o motorista do táxi corrige: “palácio Miraflores só até domingo; depois, será o palácio de Manuel Rosales”. Uma das jornalistas mais contundentes da oposição, Marta Colombina, fustiga em seu programa diário no rádio: “Não acreditem nas pesquisas! São todas compradas pelo governo!”
Os últimos levantamentos encomendados pelas agências de notícias “Associated Press” e “Reuters” colocam o atual presidente, Hugo Chávez, numa liderança sólida, para a eleição de domingo. Isso não parece desanimar seus oponentes - ao contrário, os encoraja. É que, se não fizerem nada, afirma a própria Marta, “as falsas pesquisas vão se confirmar numa profecia que se cumpre a si mesma”.
Principal candidato da oposição, Rosales passou o dia convocando, para as 22h locais de ontem (0h de Brasília), um “apitaço” em Caracas. Hugo Chávez citou por diversas vezes em encontro com a imprensa estrangeira “complôs” que teriam sido armados contra ele, mas foram descobertos a tempo por seu serviço de inteligência.
É nesse clima de polarização extrema que 16 milhões de eleitores foram chamados a ir às urnas no domingo, escolher entre a continuidade da revolução bolivariana de Hugo Chávez ou a plataforma mais liberal de Manuel Rosales, governador do Estado de Zulia, rico em petróleo, que conta com a simpatia de Washington.
Ambas as militâncias fomentam a divisão. Na ala mais radical da oposição, fala-se do “plano B”, que prevê uma cadeia de eventos assustadora: “Votamos no domingo, marchamos na segunda, derrubamos na terça”. Ou seja, diante da inevitabilidade da vitória de Chávez, o negócio será partir para o golpe.
O motivo mais citado para a ação seria uma suposta fraude eleitoral nas urnas. Pelo sistema venezuelano, quando o eleitor escolhe seu voto na urna eletrônica, recebe o equivalente em papel, que deposita numa urna convencional.