Ao contrário do que se pensa, a telefonia celular no Brasil é uma tecnologia que está mais presente entre as classes C, D e E. O segmento representa 87,2% do número total de usuários do País. A informação é do presidente da Associação Nacional das Operadoras de Celulares (Acel), Ercio Zilli, que participou nesta semana, em São Paulo, do 3.º Encontro Vivo de Telecomunicações e Imprensa.
Segundo ele, o País contabiliza atualmente 96 milhões de usuários, destacando-se em sexto lugar no ranking mundial, cuja liderança pertence à China, com 426 milhões de pessoas que dispõem do recurso.
Dos 96 milhões de usuários no Brasil, 80,7% utilizam planos pré-pagos, de acordo com a Acel. Dentro desse universo, 93,3% têm renda até R$ 1.200,00, ou seja, se enquadram nas classes C, D e E.
“Parte dessa realidade é resultado do investimento de mais de R$ 38 bilhões que as operadoras aplicaram no setor nos últimos anos e também à concorrência entre elas”, comenta Zilli.
Os dados da Acel revelam ainda que 37,5% das famílias brasileiras que ganham até dez salários mínimos têm apenas o celular em casa como meio de comunicação telefônica.
Apesar dos números serem substanciais, a Acel admite que a telefonia móvel tem muito a evoluir no País. A cobertura do sinal abrange pouco mais de 50% dos municípios do território nacional - onde vivem 15% da população -, o que prejudica o atendimento ao usuário do serviço. “Precisamos de mais investimentos no setor para ampliarmos esse atendimento”, enfatiza Zilli.
Cobertura
Para o presidente da Vivo, Roberto Lima, aumentar a abrangência da cobertura do sinal da telefonia móvel no País é uma questão de necessidade. “Os investimentos terão de ser feitos mesmo em locais que não oferecerão retorno (financeiro às empresas). Trata-se de uma atitude essencial, e nós (a Vivo) faremos isso na velocidade necessária”, completa.
A deficiência no serviço explica o motivo da telefonia celular ocupar a terceira posição nos índices de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor. Conforme Flávia Lefèvre Guimarães, advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), cerca de 25% dos quase 100 milhões de usuários brasileiros mudam de operadora por conta da ineficiência da cobertura do sinal e de outros problemas com as operadoras.
“Muita gente fica insatisfeita com o fato do sinal ser falho ou porque passou algum aborrecimento na hora de regularizar as despesas do celular. Por isso, acabam trocando de operadora”, destaca. Guimarães defende uma reforma na Lei Geral das Telecomunicações e uma atuação mais incisiva e comprometida dos órgãos reguladores do sistema, inclusive da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
“Ainda são muitos os municípios brasileiros sem cobertura de sinal de celular porque o governo não adequou a lei conforme exigiram o decorrer do tempo e a evolução do sistema. A atuação fiscalizadora da Anatel não estimula as empresas a atuarem de forma a beneficiar o consumidor”, critica.
Atualmente, o número de usuários de celular no Brasil supera a demanda que possui o sistema de telefonia fixa, segundo estima a Anatel.
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Idade e escolaridade
Entre os 96 milhões de usuários da telefonia móvel no Brasil, 50% estão na faixa etária dos 14 aos 30 anos de idade, de acordo com o estudo “Perfil do Consumidor Brasileiro de Telefonia Celular”, encomendado pela Vivo.
Na segunda posição, representando 38% do mercado, vem o usuário com idade entre 31 e 50 anos. As pessoas acima dessa faixa etária, revela a pesquisa, somam 12%.
“Esses números nos levam a refletir sobre que tipo de produto o consumidor deseja. Tem relação com o preço, com a operacionalidade? Ou ele quer mais voz, Internet, placas de acesso à banda larga?”, destaca o presidente da Vivo, Roberto Lima.
Mesmo com participação menor, a faixa etária acima dos 51 anos é a que mais tem crescido. No período de julho de 2005 a junho de 2006, o segmento apresentou incremento de 53% de participação no mercado, contra 46% apresentado pela faixa entre 41 e 50 anos; 35% entre 25 e 32 anos; 34% entre 19 e 24 anos; 17% entre 14 e 18; e 33% na faixa de 7 a 13 anos.
“As pessoas com mais de 50 anos têm uma taxa de crescimento bastante expressiva hoje (como clientes), portanto, é um novo mercado para as operadoras de telefonia celular”, ressalta Lima.
No quesito escolaridade, os usuários com ensino médio são maioria: 49%. Na vice-liderança destacam-se as pessoas que têm ou cursam o ensino fundamental, somando 37%. Com 14% aparece o usuário que faz ou já concluiu curso superior.