Regional

Prainha serve de ‘berçário’ para sucuris

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Iacanga - Se alguém duvida das histórias de pessoas que já viram sucuris pode crer que as assustadoras serpentes estão muito presentes na vida de moradores de Iacanga (50 quilômetros de Bauru). O dono de um rancho à beira do Ribeirão Claro, que deságua do rio Tietê, Isaías Moreno, 54 anos, há três meses conseguiu resgatar um ganso de sua criação arrastado para as águas por uma sucuri de, aproximadamente, 2,10 metros de comprimento.

Policial Militar Ambiental reformado, Moreno relata que só salvou o pássaro do abraço mortal da cobra porque está acostumado a conviver com o bicho próximo de casa. Ele conta que puxou de volta para a margem a cobra e, por conseqüência, o ganso preso. Nesse tranco, a cobra soltou a ave, que fugiu. Moreno agiu rápido e golpeou a serpente com uma enxadada. “Dei para o pessoal daqui comer”, salienta.

Para quem considerar o relato acima um história ou lenda pode visitar Moreno. “Moro no foco do ninho das sucuris”, acredita. Ontem, por volta das 10h, ele foi surpreendido com uma sucuri filhote de 1,10 enroscada na rede de proteção colocada para que os gansos não se aproximem do córrego.

No meio da tarde, outra sucuri, do mesmo tamanho, se enroscou na rede. Ele conta que, agora, as cobras é que vêm atrás de alimento. Moreno ressalta que não é difícil ver uma no manancial, muito utilizado para pesca nos finais de semana. “Aqui vem meus familiares e outras pessoas para pescar”.

Moreno conta que instalou a rede após perder três gansos comidos por sucuri. Ele cria, além de gansos, coelhos e galinhas. Diz que já assistiu cobra comendo cachorro.

Moreno e a esposa Isabel moram em Bauru e às quintas-feiras se refugiam à beira do córrego, em Iacanga. O rancho foi comprado há 8 anos, no Jardim Praia dos Sonhos. Moreno conta que neste período já capturou cerca de oito sucuris de vários tamanhos. A maior, cerca de 5 metros, virou pôster que exibe como troféu.

Outra está preservada em um vidro com álcool. Ele conta que já viu no lugar sucuris com 3 e 7 metros de comprimento. Algumas foram dadas para gente interessada em pesquisa. Moreno diz que a proliferação de sucuris no lugar está relacionada com a existência de um matadouro já desativado, que funcionou até o final dos anos 90. Ele cita também que o desenvolvimento de sucuris é favorecido no local pela vegetação de taboa, que serve de berçário natural para as serpentes.

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