Beirute - Dezenas de milhares de libaneses ligados ao Hizbollah e seus aliados pró-Síria compareceram ao Centro de Beirute ontem em um protesto pacífico, porém barulhento, para forçar a renúncia do premiê Fouad Siniora, que foi retirado de seu escritório cercado por centenas de policiais e tropas de combate.
O premiê continuou a cumprir suas funções ontem, aparentemente numa tentativa de ignorar os protestantes que rapidamente tomaram as ruas e praças da Capital antes mesmo da hora marcada para a manifestação, às 15h (11h pelo horário de Brasília). O grupo extremista islâmico xiita Hizbollah e seus aliados ofereceram ônibus para simpatizantes em todo o país até o Centro de Beirute e distribuindo cupons de gasolina gratuitamente.
O Exército do Líbano está em alerta máximo em Beirute. Soldados fortemente armados e policiais fecharam todas as vias que levam aos prédios do governo, que ficam próximos ao local para onde se dirigem os manifestantes.
Barricadas e arames farpados foram colocados para impedir que os protestos se espalhem até os escritórios do premiê. Unidades do Exército, apoiadas por tanques e veículos blindados, se posicionaram nos acessos ao Centro da Capital e em vários bairros de Beirute. O comandante-em-chefe do Exército, general Michel Sleimane, pediu aos oficiais que estejam preparados para enfrentar qualquer incidente de violência.
Seguranças do Hizbollah também foram destacados e se colocaram em duas linhas entre os protestantes e as forças do Exército, para prevenir confrontos. Apesar de os organizadores afirmarem repetidamente que o protesto tem caráter pacífico, há temores de que simpatizantes do Hizbollah possam invadir a sede do governo, além dos possíveis confrontos com manifestantes anti-Síria em favor de Siniora.
Apoiadores do governo acusam a Síria de estar por trás da campanha do Hizbollah. Eles afirmam que o país vizinho tenta reconquistar a influência perdida no Líbano. O Hizbollah e seus aliados, por sua vez, dizem que o país caiu sob o domínio dos Estados Unidos e que eles perderam sua porção merecida de poder.