Esportes

Vôlei: Brasil busca o bi diante da Polônia

Por Mariana Lajolo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Tóquio - Em 1981, o garoto Giba brincava pelas ruas de Londrina (PR). A família Endres esperava o mais novo rebento, Murilo. Os pais de Samuel ainda não sonhavam com sua chegada. Não havia o menor sinal de que um dia, as vidas desses três personagens se cruzariam para formar a mais vitoriosa equipe brasileira de todos os tempos.

Enquanto isso, no Japão, uma seleção de jogadores talentosos, que levava no banco um certo Bernardinho, começava a escrever essa história. Foi em Tóquio, na Copa do Mundo de 25 anos atrás, que a conhecida geração de prata conseguiu a primeira medalha do vôlei do País em competições de nível mundial. Era um bronze, que colocou de vez o Brasil no mapa da modalidade.

Hoje, a Seleção volta à quadra no Mundial do Japão, às 8h30 (com TV), contra a Polônia, para manter o que se tornou tradição desde que Bernardinho trocou de função no banco. Esta é a 17ª final em 18 competições do time sob o comando do treinador. O ouro escapou em apenas quatro delas - três pratas e um bronze.

O bicampeonato, mais do que manter a sina de pódios, será um atestado de que a renovação conduzida após Atenas-2004 vingou. Depois do ouro olímpico, Nalbert, Giovane e Maurício deixaram o time. Giba e Dante se firmaram como titulares absolutos na ponta da rede e ganharam novos reservas, Murilo e Samuel Fuchs. Marcelinho, que até então orbitava como terceiro levantador, também ocupa o banco.

Até agora, essa nova formação já conseguiu dois títulos da Liga Mundial. O torneio no Japão é o seu maior teste. A decisão de hoje vai testar também a recuperação psicológica dos jogadores.

Na campanha no Japão, o primeiro tropeço aconteceu diante da França, na primeira fase. Abalada, a equipe foi para a segunda etapa com a obrigação de vencer todas as partidas. Depois, em jogo decisivo contra a Bulgária, Ricardinho, Escadinha e Gustavo discutiram em quadra. O levantador deixou o jogo magoado.

“Todos achavam que havia algo ruim entre nós. Brigamos e um dia depois já estava tudo bem. Fazer esse grupo se separar por esse tipo de coisa é impossível”, afirmou Ricardinho.

Ontem, a Seleção assegurou a passagem para a decisão ao derrotar Sérvia e Montenegro, por 3 sets a 1. Na outra semifinal, a Polônia passou pela Bulgária pelo mesmo placar. O time que, há 25 anos surgiu para a elite do esporte, terá pela frente uma seleção que busca rota parecida. Os poloneses nunca chegaram a uma decisão de Mundiais, mas estão invictos no Japão. “A pressão ainda está aí”, diz Bernardinho.

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Forçado, Giba ‘vira líbero’ e se destaca

Tóquio - A tática de Sérvia e Montenegro ontem era clara: saque forte, em cima de Giba. No início, o ponta se atrapalhou. Não conseguia fazer a recepção e correr para atacar. Algumas vezes, ansioso para sair correndo, mandava bolas tortas para Ricardinho. Mas logo Giba incorporou seu novo papel, o de líbero. E não só conseguiu imprimir bons passes como, quando o adversário aliviou o saque, voltou a brilhar no ataque. Giba foi o passador mais eficiente de todo o jogo - 65,85% de aproveitamento. No ataque, acertou 63,3% de suas cortadas, atrás de Dante e André Nascimento entre os mais acionados. O ponta também protagonizou algumas das cenas de maior vibração. Em uma delas, ajoelhou-se no chão para reverenciar Ricardinho após uma boa jogada. “Foi um grande jogo. Agora temos de fazer a adrenalina baixar logo para a final”, disse. Durante as entrevistas após o jogo, Giba agradeceu diversas vezes à França - único time que bateu o Brasil neste Mundial e chacoalhou a equipe. “Na Liga (deste ano), agradeci à Bulgária e vencemos. Tenho de agradecer”, brincou.

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