Lençóis Paulista - Um projeto que nasceu há quatro anos na cidade de Lençóis Paulista (a 43 quilômetros de Bauru) e este ano ganhou um novo fôlego conquistou o que muitas cidades da região ainda patinam para conseguir: tirar as crianças e adolescentes das ruas do município.
Com isso, os semáforos são só sinais de trânsito e não mais ponto de mendicância ou prostituição. “Virando o Jogo” realmente mudou o caminho que estava sendo seguido pelos cerca de 400 crianças e adolescentes que já passaram por oficinas e cursos de profissionalização oferecidos pelo projeto. “Hoje atendemos cerca de 280”, gaba-se Maria Joana Marise, diretora do projeto.
Deste total, mais de 15 já estão empregados, embora a Diretoria de Assistência e Promoção Social não tenha dados concretos sobre o número de adolescentes que já conseguiram ganhar espaço no mercado de trabalho.
O projeto Virando o Jogo nasceu da necessidade de atendimento aos adolescentes em situação de risco social. “Eles eram encaminhados pelo Judiciário e, após prestarem serviço à comunidade, retornavam às suas realidades, sem ter mudado o caminho”, relembra Marise.
Criado em 2002, de maneira bem tímida, o Virando o Jogo ganhou fôlego no ano passado quando a famosa camiceria Romanato resolveu vender camisetas com estampas feitas pelos adolescentes que freqüentavam a oficina de silk screen. Foram comercializadas 500 peças, cada uma delas foi assinada e numerada, tornando-se uma peça única e original.
Virando o Jogo atende crianças a partir de 7 anos, preventivamente, e até os 18 anos, aqueles que precisam de algum tipo de assistência social ou psicológica, que é feita em três locais diferentes e no próximo ano deverá ganhar mais um espaço. “Descentralizamos para facilitar o atendimento. Próximo da casa deles é mais interessante. Você conhece mais os familiares e a convivência ajuda na inclusão social. Só o curso de informática que é oferecida na sede, região central da cidade. Os demais acontecem nos demais locais”, explica Maria Joana Marise.
O projeto oferece oficinas de grafite, letreiro, informática, pintura em camiseta, bijouterias, trabalho socioeducativo e acompanhamento de assistência social e psicóloga. Mas nem sempre foi assim. Durante três anos, o projeto se estruturou para poder oferecer oficinas e cursos que pudessem literalmente mudar o jogo daqueles que têm poucas oportunidades. “Amadurecemos e esta semana apresentamos os trabalhos para a comunidade de Lençóis”, diz Marise.
Andréia Rodrigues tem 20 anos e há cinco meses freqüenta o projeto, onde aprendeu a fazer bijouterias e a customizar camisetas. Sem profissão definida, ela já está recebendo encomendas para camisetas.
Ela e as demais integrantes do grupo fazem tanto as bijouterias quanto a customização junto com a psicóloga, e entre um trabalho e outro conseguem colocar para fora seu pontos fracos para serem reestruturados através da psicologia.