Saúde

Especialistas questionam cirurgia para hérnia de disco

Por Constança Tatsch | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Estudo publicado no “The Journal of the American Medical Association’’ sobre hérnia de disco lombar aponta que apenas 5% dos pacientes que sofrem do problema devem passar por cirurgia. A recomendação encontra respaldo entre especialistas brasileiros ouvidos pela reportagem, para quem a intervenção cirúrgica deve ser feita apenas quando o tratamento não obteve resultado e a dor do paciente se mostra insuportável, resultando em comprometimento dos membros ou compressão da cauda eqüina.

Apesar de a indicação ser para uma parcela pequena, especialistas reconhecem que há um excesso de operações, que poderia chegar a até 40% dos pacientes. “Há uma superindicação, isso é indiscutível, mas que alguns casos precisam de cirurgia também é indiscutível’’, afirma Mirto Prandini, neurocirurgião e professor de neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Esse estudo é perfeito. Eu raramente opero hérnia, a não ser nos casos de indicação absoluta. Os casos bem tratados têm 95% de chance de sucesso’’, diz o clínico reumatologista do hospital Albert Einstein e autor do livro “Coluna, Ponto e Vírgula’’, José Goldenberg.

Para o chefe do Departamento de Ortopedia do Hospital das Clínicas (HC), Tarcísio Barros Filho, a pesquisa mostra que é possível optar entre um tratamento menos invasivo mas um pouco mais longo ou a cirurgia. “A maior parte pode ser tratada sem cirurgia porque a longo prazo a tendência da curva é se igualar.’’

Pessoas que sofreram rupturas de discos lombares geralmente se recuperam, quer passem por cirurgia ou não, dizem pesquisadores. O estudo publicado no “The Journal of the American Medical Association’’ constatou que a cirurgia parece promover o alívio da dor em menos tempo, mas que a maioria dos pacientes acaba se recuperando de qualquer maneira, com o tempo, e que não há mal nenhum em esperar.

O estudo mostrou que, ao final, nem a espera nem a cirurgia saíram vencendo claramente. A conclusão foi que a maioria dos pacientes pode decidir em segurança o que fazer, baseada em suas preferências pessoais e seu nível de dor.

Embora muitos pacientes não tivessem se mantido com o tratamento que lhes tinha sido designado, a maioria se saiu bem com qualquer um. Muitas das pessoas submetidas à cirurgia em muitos casos relataram alívio imediato da dor. Mas, ao término de três a seis meses, os pacientes de ambos os grupos relataram melhoras significativas. Após dois anos, cerca de 70% dos pacientes dos dois grupos disseram ter sentido “uma melhora importante’’ de seus sintomas.

Nenhum dos pacientes que esperou sofreu conseqüências sérias, e nenhum dos que passou pela cirurgia sofreu resultados desastrosos. Muitos cirurgiões temiam que a espera pudesse acarretar danos importantes, mas o estudo comprovou que esses temores não tinham fundamento.

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