Economia & Negócios

Aprendizado é decisivo para contratação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

“Só fui contratada porque fiz estágio.” A exemplo da analista de recursos humanos Renata Caputo, muitas outras pessoas iniciam a vida profissional como estagiárias. É como um primeiro passo para a conquista de um emprego estável.

Hoje, Renata faz o papel inverso. É ela quem atende aos pedidos de estágios. Com a experiência de quem já esteve dos dois lados, ela recomenda aos estudantes interessados em trabalhar como estagiários que façam a inscrição o quanto antes.

Uma das exigências para ter direito a uma vaga como estagiário é estar matriculado no ensino superior ou em algum curso técnico ou superior. É preciso também ter mais de 16 anos.

Uma vez dentro da empresa, Renata recomenda muita dedicação. “É importante mostrar interesse, flexibilidade e disponibilidade. Isso pesa muito na hora da empresa decidir quem será contratado”, indica.

Mesmo que não seja contratado, a experiência que o estudante adquire durante o estágio será fundamental quando ele for procurar uma outra empresa.

Funcionária da VH Brasil, agência de recursos humanos, Renata revela que as áreas de informática, direito e administração de empresas são as que mais contratam estagiários. Segundo ela, do total de estagiários que a agência encaminha para as empresas, cerca de 40% são efetivados no serviço.

De acordo com o coordenador de estágios Richard Manoel Martins Ferreira, para ter direito a um estagiário, a empresa precisa dar condições para que ele desenvolva na prática o que está aprendendo na faculdade ou no curso técnico. “Não pode, por exemplo, dar uma bicicleta e um monte de papel e pedir para ele sair fazendo cobrança”, comenta.

Aluna do 5º ano de psicologia, Fernanda Siqueira Baptista, 22 anos, começou a fazer estágio em 2004. Em agosto deste ano, ela foi efetivada como auxiliar de recursos humanos.

Graças ao emprego conquistado, ela consegue agora pagar boa parte da mensalidade do curso que está fazendo. Enquanto estagiária, Fernanda recebia uma bolsa-auxílio, mas o valor era insuficiente para cobrir as despesas com a faculdade. Hoje também é, mas o salário é maior do que a bolsa. Segundo ela, o aprendizado que está tendo na prática com o emprego tem sido muito importante para um melhor rendimento na faculdade.

De forma geral, a oportunidade de executar na prática o que se aprende na faculdade é a principal vantagem de quem faz estágio. No caso da jornalista Liliane de Lucena Ito, 25 anos, os cinco meses que ela trabalhou como estagiária foram fundamentais para saber como funciona uma redação.

Além de se adaptar à rotina diária de sua profissão, Liliane lembra que o estágio foi decisivo na hora de conseguir o emprego. “Tenho certeza de que se eu não tivesse feito o estágio não teria sido contratada”, aposta ela. “Na faculdade, nossa formação é muito teórica. Com o estágio, eu me preparei profissionalmente”, afirma.

Com o emprego, Liliane pôde realizar dois grandes sonhos: pôr em prática o que aprendeu em quatro anos de faculdade e comprar um carro. Sem a ajuda do estágio, segundo ela, teria sido mais difícil.

O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de Bauru tem atualmente cerca de 12 mil estudantes cadastrados. E todo mês dezenas de novas inscrições são feitas. Além de Bauru, o órgão atende também solicitações de estágio de 49 cidades da região.

De acordo com a analista de recursos humanos Juliana Torres Gimenez, a procura por estágio sempre cresce no início do ano. É quando os alunos retornam das férias.

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Ministério do Trabalho

Quando o assunto é estágio, a irregularidade mais comum encontrada pelos fiscais do Ministério do Trabalho (MT) é quando a empresa procura utilizar o programa como forma de substituição ilegal de mão-de-obra.

Uma vez descoberta essa tentativa, é elaborado um auto de infração que pode resultar em multa caso a empresa não regularize a situação do estagiário. Segundo informa o chefe do setor de inspeção do trabalho, o auditor fiscal da subdelegacia de Bauru José Eduardo Rubo, a empresa tem duas alternativas: adequar-se ao termo de compromisso assinado entre o aluno, a escola e a empresa ou dispensar o estagiário.

Quando esse termo não é respeitado, o estudante é encarado pelo Ministério do Trabalho como um trabalhador sem registro. Portanto, em situação irregular. Embora essa seja a irregularidade mais comum, ela não é notada com freqüência, segundo Rubo. De acordo com ele, são raros os casos em que o Ministério do Trabalho precisa intervir para regularizar a relação entre o estudante e a empresa.

Estagiários sem seguro e sem supervisão são outras duas falhas que de vez em quando são detectadas. “Quando isso acontece, as empresas são orientadas a tomar as medidas que estão faltando. O objetivo da fiscalização é sempre regularizar a situação”, afirma o auditor fiscal.

Apesar da atuação do Ministério do Trabalho, não se tem verificado uma diminuição ou extinção dessas irregularidades. Segundo Rubo, talvez pela falta de uma campanha mais específica, a situação não tem mudado ao longo do tempo.

“Eu não tenho números para fazer comparações e dizer se está havendo um aumento de problemas ou não. Eu tenho a impressão que essa situação está estável”, afirma ele. “Não são problemas graves. Mas eles existem e estão sendo fiscalizados”, declara.

Rubo esclarece que não há uma fiscalização específica para checar a situação dos estágios nas empresas. Segundo ele, as irregularidades são descobertas por meio de denúncias ou quando fiscais do Ministério do Trabalho vão às empresas ver como está a inclusão do portador de deficiência ou do menor aprendiz.

Se durante essa fiscalização for constatada a presença de estagiários, os fiscais analisam as condições de trabalho a que estão submetidos e se atendem os requisitos mínimos exigidos pelo Ministério do Trabalho.

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