Agora o clima de Natal está completo. Depois da Super Parada do Jornal da Cidade, foi aberta oficialmente na noite de ontem a Casinha do Papai Noel, na Praça Portugal. O evento reuniu aproximadamente 2 mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores, e contou com a participação da Orquestra de Violinos Musicrescer, de Duartina (38 quilômetros de Bauru), e das crianças da Escola Viver.
A Casinha do Papai Noel faz parte da Promoção “Natal Tamanho Família”, iniciativa do JC, em parceria com Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rádio 96 FM e Prefeitura Municipal. O espaço funcionará até o próximo dia 22 e ficará aberto das 18h às 22h. O valor dos ingressos é convidativo: levando um quilo de alimento não perecível (com exceção de açúcar e sal) ou um brinquedo em bom estado de conservação, a criança ganha o direito de conhecer de perto a morada do Bom Velhinho.
Além de aproveitar o passeio, de quebra o visitante ainda tem a chance de colaborar com 40 entidades assistenciais de Bauru, para as quais será encaminhado o material doado. Mas quem visita o local pode encontrar outras formas de praticar a solidariedade.
Gestos simples, como participar da Oficina de Brinquedos do Senai (R$ 2,00) ou do passeio de trenó (R$ 1,00), podem significar alegria para muitos jovens carentes da cidade. Isto porque, toda a quantia arrecadada com as duas atividades será destinada ao projeto “Nenhuma Criança na Rua”, uma parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescentes e o Grupo Empresarial de Apoio à Criança e ao Adolescente de Bauru (GEA).
Catarina Carvalho é membro da Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial, uma das entidades que será beneficiada com as doações arrecadadas pela Casinha do Papai Noel. Ela considera o evento uma forma alegre de se fazer solidariedade. “Isso é um verdadeiro Papai Noel nas nossas vidas”, disse ela.
Além dos aspecto social, Carvalho não poupou elogios ao lado festivo do evento. “A Casinha resgata o mundo mágico do ‘Era uma vez...’ para a população de Bauru”, acredita. Ela, a exemplo de outros adultos presentes ao local, não perderam a oportunidade de abraçar o Bom Velhinho. “As pessoas sabem que ele não existe, mas quando se aproximam dele, é como se voltassem a sonhar”, pensa.
Sonhos
Quando Carvalho diz que todos sabem que Papai Noel não existe, provavelmente está se referindo aos adultos. A crianças presentes à Praça Portugal, na noite de ontem, certamente contestariam e com firmeza a afirmação da ex-vereadora.
As certezas com relação ao personagem eram tantas que muitos não eram capaz de esconder a ansiedade pela chegada do Bom Velhinho à Casinha. Gabriel Graciano Martins, 6 anos, Maria Eduarda Rodrigues, 5 anos, foram cedo para garantir os primeiros lugares na fila de entrada.
A técnica em higiene bucal Lilian Cândido, moradora do Jardim América, também procurou se posicionar em um ponto estratégico, próximo ao portão da casinha para aguardar a chegada do Papai Noel. Além do marido Américo Corazza, ela estava acompanhada de três crianças. Delas, apenas Gabriel, 3 anos, admitia acreditar no personagem.
As amigas Carolina (irmã do garoto) e Paula, ambas 9 anos, afirmavam não duvidar da existência do “Velhinho”. Estranhamente, porém, as duas possuíam entradas para a Casinha. “Foi idéia do Gabriel”, garantiram.
Pode até ser verdade. O fato, porém, é que quando o caminhão que conduzia Papai Noel se aproximou da praça, ao som da tradicional “Jingle Bells Rock”, todo mundo - crianças, adultos, idosos - ficou em polvorosa. Uma gritaria tomou conta do local, e o Bom Velhinho foi cercado por uma multidão de pessoas de diversas idades.
Completamente espremido pela multidão, ele tinha trabalho para se movimentar - tanto, que demorou quase 10 minutos para chegar à sua residência. Apesar do forte calor, ele não desanimava. “Vale a pena. Não tem nada mais bonito do que o sorriso dessas crianças”, disse, enquanto se esforçava para atender cada uma das pessoas.
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Sem idade
Em geral, adultos não costumam ter uma idéia de quanto é forte a crença das crianças no Papai Noel. Caio Joaquim Bergamini, 4 anos, chegou a levar uma carta à Praça Portugal, ontem à noite, para entregar ao Bom Velhinho. Na correspondência - escrita com auxílio dos pais -, ele afirmava ser um garoto obediente e aluno dedicado na escola. Tantas qualidades tornariam o menino apto a ganhar um videogame de presente de Natal.
Segundo a avó, Sônia Bergamini, o garoto estava ansioso nos últimos dias, esperando que a Casinha entrasse em funcionamento. De fato, enquanto Papai Noel não chegava, Caio estava inquieto, e só ficou mais solto depois que o “Bom Velhinho” chegou ao local.
A aparição do personagem, aliás, provocou um verdadeiro burburinho na praça, causando emoção em pessoas de todas as idades. Os 81 anos de idade não impediram que Izaura de Jesus Vale se divertisse na noite de ontem. Ao lado de netos e bisnetos, ela afirmava ainda acreditar em Papai Noel. “E por que não poderia?”, questiona.