Há dois dias está faltando água em vários bairros de Bauru. O rio Batalha, que abastece atualmente 35% da cidade, está com o nível do leito baixo e, por isso, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não tem condições técnicas para ligar a terceira bomba em momentos de pico de consumo – em condições normais, duas bombas funcionam 24 horas e, quando há necessidade, a terceira é ligada.
Apesar de já ter fechado as comportas da lagoa de captação no Batalha para tentar manter o nível do rio, o DAE não informou à imprensa sobre o problema e que poderia faltar água na cidade. Entre anteontem à noite e ontem, o Jornal da Cidade recebeu reclamações de que estava faltando água no Higienópolis, Centro, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Brasil, Jardim Ferraz, Jardim Ouro Verde, Granja Santa Cecília, Parque Santa Cândida e Parque Vista Alegre.
Revoltados, os moradores questionavam que não sabiam o que estava acontecendo que as torneiras estavam secas. Num final de semana com temperatura máxima acima dos 30 graus, eles ficaram sem água. O DAE não soube informar com exatidão quantos bairros foram atingidos.
O diretor de produção e reservação de água do DAE, José Brazoloto, explicou que, para evitar que as torneiras fiquem totalmente secas, está remanejando água dos poços profundos para a região que normalmente é abastecida pelo rio Batalha - os 29 poços profundos fornecem água para 75% da cidade.
Ele assume que há dificuldade em atender a demanda de água da cidade e que a solução só virá com chuvas na nascente do rio Batalha, nos municípios de Agudos e Piratininga. “O calor está demais e como o nível (do rio) está muito baixo para não sangrar o rio estamos mantendo só as duas bombas com abastecimento normal. A terceira é para suprir em horários de pico. Mas como não tem chovido, mantemos só com duas bombas”, revela.
Emergencialmente, Brazoloto pede para que a população economize água e evite estocar o produto em baldes, garrafões, garrafas e outros recipientes, para a situação não se agravar . “Não estamos trabalhando com rodízio, mas se realmente a população não se conscientizar e não chover...”, comenta, dando a entender que poderá haver rodízio.
Manobra de rede
Para evitar que as torneiras fiquem completamente secas, o DAE redistribui, através de manobra de rede, a água de poço para regiões que normalmente são atendidas pelo rio Batalha. De acordo com o diretor do DAE, a geologia da região central de Bauru, com concentração de bairros mais antigos, impossibilita a perfuração de mais poços artesianos.
“Não tem água nessa região velha da cidade”, garante. Com o recurso da manobra de rede, o DAE ontem tirou água, por exemplo, do Parque Vista Alegre para abastecer a região do Centro e de bairros do entorno do Cemitério da Saudade, que compreende a Vila Cardia e Jardim Santana.
Muita gente de regiões que dependem exclusivamente de água de poços reclama de que também está sendo afetada. Um morador do Higienópolis, que preferiu não ter seu nome divulgado, foi categórico ao afirmar que os vizinhos estão irritados.
Já no sábado ele reclamou ao JC sobre a falta de água. Ontem, a reportagem fez contato com ele para saber se o problema persistia. Mais irritado do que no dia anterior, ele disse que seu closet foi inundado.
Segundo o morador, a volta da água foi desastrosa porque a pressão prejudicou o funcionamento da bóia e a caixa transbordou. “Segundo o encanador, a bóia enroscou. Tá um problema aqui e estamos revoltados”, salienta. Ele afirma que a manobra de rede pelo DAE serve para “cobrir um santo, enquanto descobre outro”.
Sem água em casa, Hélio Teixeira de Faria, já acostumado a recorrer ao poço artesiano, questiona a exploração do rio Batalha para abastecer Bauru. “Passou do tempo do DAE parar de retirar água do Batalha”, finaliza.